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Caso BES. A culpa "provável" de Salgado ficou provada, diz o PSD

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"Nós tiraríamos a palavra provável", disse o coordenador do PSD na CPI, Carlos Abreu Amorim, considerando que ficou provado o papel central do banqueiro nessa manipulação, que se revelou decisiva para a implosão do império Espírito Santo

Luís Barra

Relatório mantém que é "provável" que Ricardo Salgado estivesse na origem da manipulação das contas da Espírito Santo Internacional. Sociais-democratas dizem que gostavam de ter tirado essa palavra, pois a culpa ficou provada.

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A parte do relatório da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao caso BES/GES que relata os factos apurados foi esta quarta-feira aprovada por unanimidade. Todos os grupos parlamentares elogiaram o trabalho do deputado-relator, o social-democrata Pedro Saraiva, pela forma como foi capaz de fazer o relato de tudo o que foi apurado nos seis meses de trabalho da CPI.

Menos pacífica é a parte relativa às conclusões e às recomendações feitas pelo relator. Por exemplo, no ponto em que o documento considera "provável" que Ricardo Salgado tenha estado na origem do processo de manipulaçãop de contas da Espírito Santo Internacional (ESI), em 2008, com ocultação do passivo e empolamento dos ativos da holidng - um processo continuado até 2012, e que acabou por ser uma bola de neve que empurrou o banco e o grupo para o precipício.

"Nós tiraríamos a palavra provável", disse o coordenador do PSD na CPI, Carlos Abreu Amorim, considerando que ficou provado o papel central do banqueiro nessa manipulação, que se revelou decisiva para a implosão do império Espírito Santo.

No essencial, o relatório final mantém o que estava escrito no documento preliminar: o que aconteceu no BES e no Grupo Espírito Santo foi, antes de mais, por culpa das administrações do banco e das inúmeras empresas do grupo, em particular de Ricardo Salgado. Por falhas e amadorismo do modelo de governo, e por conveniência de todas as partes: Salgado "praticava um estilo de gestão centralizador e personalizado", e os restantes conformavam-se a não saber.

Um "casamento conveniente" entre Salgado e a família

Em resumo, confirmou-se a existência de uma "cultura organizacional nalguns casos decorre de um verdadeiro casamento conveniente, especialmente no que diz respeito a alguns membros da família Espírito Santo, por conjugar a sua passividade com um estilo de liderança autocrática exercido por Ricardo Salgado, concentrando em si mesmo informação e decisões que nem sempre eram partilhadas, ou só o eram de forma parcial junto de outros administradores ou responsáveis do GES ".

Factos demonstrados em quase todos os aspetos mais relevantes para o descalabro do banco e do grupo, fosse o descontrolo nas contas do BES Angola, o desrespeito por recomendações dos supervisores, as decisões na reta final antes da intervenção (como as cartas de conforto à Venezuela ou a operação de recompra de obrigações) ou, facto essencial, a manipulação das contas da ESI.

Sobre o que se passou na Espírito Santo Internacional, fica a redação definitiva do relatório: "Atendendo ainda ao estilo de gestão vigente no GES, à centralização de conhecimentos e responsabilidades em torno da figura de Ricardo Salgado, nomeadamente ao nível de uma gestão centralizada de tesouraria, ainda que não assumida pelo próprio, praticada conjuntamente com José Castella, considera-se provável que Ricardo Salgado tenha estado envolvido na tomada de decisão de manipulação intencional das contas da ESI desde 2008, da qual teria portanto também pleno conhecimento, ainda que o seu depoimento aponte em sentido contrário, o mesmo sucedendo relativamente a José Castella; Do mesmo modo, considera-se ser altamente improvável que a manipulação intencional das contas da ESI fosse assumida por livre iniciativa ou do conhecimento exclusivo de Francisco Machado da Cruz."