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A hora zero de Sampaio da Nóvoa

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FOTO LUÍS BARRA

19h30, Teatro da Trindade, em Lisboa. Foi este o momento de arranque da candidatura presidencial de António Sampaio da Nóvoa. Os organizadores esperam "casa cheia" para o primeiro grande teste do candidato independente, que vai tentar a unir a esquerda corrida a Belém

Tem 61 anos, nasceu em Valença do Minho e o seu currículo é sobretudo preenchido por todos os graus que se podem obter na carreira académica. Com dois doutoramentos - um em Ciências da Educação, pela Universidade de Genebra, e outro em História, pela Universidade Paris IV, da Sorbonne - António Sampaio da Nóvoa viveu praticamente toda a vida entre livros e academias.

Chegou em 2006 a reitor da Universidade de Lisboa, de onde saiu em 2013 com um novo feito no seu curriculum: a unificação das duas maiores universidades da capital, a Clássica e o Técnico, que assim se tornaram o maior polo académico do País.

Homem de cultura e de livros, a entrada na vida política foi recente. Chamado, em 2012, por Cavaco Silva para presidir às cerimónias do 10 de junho, fez-se notar por um discurso de apelo à mudança. Com um país em plena crise, o então reitor declarou que "precisamos de ideias novas que nos deem um horizonte de futuro". "Precisamos de alternativas. Há sempre alternativas."

A esquerda gostou do que ouviu, da crítica à "arrogância do pensamento inevitável" que "é o contrário da liberdade". E, no ano seguinte, foi pela mão de Mário Soares que participou no encontro "Libertar Portugal da Austeridade", para, um ano depois, ter sido a estrela convidada para o discurso do congresso socialista, que elegeu António Costa como líder.

O arranque para a candidatura presidencial está a ser preparado há cerca de um mês, altura em que, com o apoio tácito do PS e dos três últimos Presidentes da República - Eanes, Soares e Sampaio - tirou todas as dúvidas que restavam a Sampaio da Nóvoa sobre a viabilidade da sua corrida a Belém.

Firme defensor de uma candidatura fora da alçada partidária, o ex-reitor decidiu avançar já, ao arrepio do calendário dos partidos, que por agora estão concentrados nas próximas Legislativas. Mas, consciente de que ainda é uma figura pouco conhecida, Sampaio da Nóvoa precisa de arrancar mais cedo e seguir para o terreno.

Esta quarta-feira, segundo a organização, serão lançadas as bases da corrida presidencial. Avança a recolha de assinaturas, numa cerimónia em que se conta com "casa cheia", sobretudo de gente ligada à cultura, universidade e ciência. Sampaio da Nóvoa será o único orador e, além do discurso, faz questão de divulgar a sua carta de princípios, uma espécie de compromisso com os portugueses, onde vai definir o seu entendimento dos poderes presidenciais. E, claro, da forma como os pretende usar. Se lá chegar. 

 

[artigo atualizado às 20h01]