A repressão da Polícia espanhola contra a manifestação de estudantes em protesto pelos cortes na Educação, anunciados pelo Governo de Mariano Rajoy, está a surtir um eco de indignação.
Ontem à noite, no quarto dia de protestos, os confrontos em Valência resultaram em pelo menos 16 feridos, entre os quais 11 polícias, e 22 detidos, incluindo cinco menores de idade.
A carga policial atingiu não só manifestantes, mas jornalistas e transeuntes.
As autoridades espanholas tentam evitar o alastramento da já baptizada "Primavera Valenciana"
para outras cidades espanholas. Por agora, três novos grupos da Unidade de Intervenção Polícia (UIP), oriundos de Barcelona, Sevilha e Valladolid foram destacados para Valência, onde se prevê uma tarde e noite quentes, avança o site do "Publico.es"
Ao todo são 400 agentes antidistúrbios mobilizados para as ruas da cidade depois dos estudantes terem anunciado que não irão arredar o pé.
O dispositivo de segurança em Valência será implementado pelo próprio comissário geral de Segurança Pública, Villabona Florentino, que estará esta tarde em Valência.
O responsável não descarta novos confrontos com a Polícia, considerando que grupos radicais se infiltraram naquele que começou como um protesto estudantil.
Rajoy não quer imagem de Espanha manchada
O primeiro ministro espanhol apelou hoje à "serenidade e responsabilidade" de "todos", depois de uma conferência de imprensa conjunta em Downing Street com o seu homólogo britânico David Cameron.
A agenda do encontro dos líderes esteve preenchida pelas questões económicas e de crescimento na União Europeia.
Questionado sobre a possibilidade da revolta se estender a outros pontos do país, Mariano Rajoy afirmou: "Esta é hora de serenidade e de responsabilidade. Não podemos dar uma imagem que não corresponde à do nosso país".
Ministro da Justiça defende ação da Polícia
Em declarações à rádio RNE, o ministro da Justiça espanhol, Alberto Ruiz-Gallardón afirmou que o Governo defenderá sempre o direito à liberdade de expressão e manifestação mas, no caso dos incidentes de Valência os agentes policiais foram "violentamente agredidos".
"Não temos muita simpatia pelos que atacam os que tornam possível que você e eu sejamos pessoas livres numa nação livre", afirmou.
Questionado sobre se a reação policial foi proporcional, Ruiz-Gallardón está convicto de que se deve analisar cada caso mas dar sempre a presunção de atuação legítima às forças de segurança.
"Não seria adequado, de nenhuma das formas, que equiparássemos o que é uma reação perante uma violação dos comportamentos que estão admitidos numa sociedade democrática e o que é uma reação não apenas legítima mas exigida para restabelecer essa garantia dos direitos fundamentais", afirmou.
Mensagens proliferam na Internet
As autoridades advertem ainda sobre o papel das redes sociais na Internet para a proliferação de este tipo de situações. Aliás, para esta tarde foram convocadas concentrações de apoio
a Valência nas principais cidades de Espanha e no twitter multiplicam-se as mensagens em prol da "Primavera Estudantil".
O chefe superior da Polícia da Comunidade Valência garantiu ontem que os agentes foram obrigados a intervir e usar a força perante a "agressividade" de alguns manifestantes a quem chamou de "inimigos". De acordo com Antonio Moreno houve "uma agressividade adicional", comparativamente aos protestos da semana passada, o que exigiu "uma resposta equitativa".
"A Polícia está obrigada a manter a paz mas havia alguns interessados em agravar o conflito. Temos que preservar os direitos dos cidadãos e dos agentes que atuam em legítima defesa para se proteger", disse Moreno.
Um vídeo colocado no YouTube apela à concentração na Estação ferroviária do Norte, em Valência, hoje a partir das 19h30. "Contra a violência, interpretaremos "Mater Mea". Traz o teu instrumento".