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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”

Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição de som

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Grafismo animado

Infografia

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Esta não é a primeira vez que a atriz se entrega por inteiro a uma personagem. Quando João Canijo a convidou para o filme “Mal Nascida”, logo no dia seguinte Anabela deslocou-se à aldeia de Codeçoso, no Minho, para viver com uma família local, tratou de animais e engordou 25 quilos. Em “Sangue do meu Sangue”, também de Canijo, foi viver durante meses para o problemático Bairro Padre Cruz, em Lisboa, e deixou-se contagiar por aquela dureza.

No ano passado experimentou o outro lado da câmara. Tudo começou com o documentário “Portugal, um dia de cada vez” onde filmou um certo retrato do país. Uma ideia de Canijo, com imagens captadas por Anabela que, no início, deveriam ter servido de pesquisa de campo para o filme “Fátima”, sobre a peregrinação de 11 mulheres ao santuário, filmado em Vinhais, que se estreia no próximo dia 27 de abril e que conta no elenco com Rita Blanco, Ana Bustorff, Márcia Breia, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Sara Norte ou Teresa Tavares, entre outras.

Anabela Moreira estreou-se também na realização de ficção com a curta metragem “O Dia do Meu Casamento”, que retrata a manhã de uma cerimónia, na perspetiva da noiva, interpretada pela própria atriz.

Anabela, a bela Anabela representa sempre de uma forma tão autêntica que parece fazer-nos crer que representar é ser mais verdadeiro do que na vida. Canijo afirma que a maior qualidade de Anabela é conseguir deixar cair a máscara e não distinguir a pessoa da 'persona'. E nesta conversa a atriz chega a admitir: “Dou por mim a fazer confusão entre mim e as personagens. Vejo-me demasiado retratada nelas.”

Uma conversa tida no Teatro Turim que passa pelo cinema, pelo amor, o humor, a boa mesa, a boa música e as coisas simples da vida “onde podemos ser todos felizes”. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”