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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Lena d’Água, a alma danada: “Desculpem lá se não morri jovem e bela”

De símbolo sexual do rock português dos anos 80 ao recato de uma aldeia no meio da natureza, passou uma vida. Muita coisa mudou, mas a voz doce e cristalina mantém-se intacta, assim como o seu jeito livre e desalmado de ser. Deu que falar nas últimas semanas por ter arriscado concorrer ao Festival RTP da Canção, o que representou para si uma espécie de “renascimento”. Mote para uma conversa que percorre os loucos anos do rock, os vícios, os amores e os desejos: “Vou gravar um disco e ainda quero encher o Coliseu. A idade é mais um assunto na cabeça dos outros do que para mim”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição de som

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Grafismo animado

Infografia

Foi a primeira vocalista de uma banda rock portuguesa, os Beatnicks, e tornou-se rapidamente uma das mulheres mais famosas e desejadas dos anos 80 e 90. Tentou-nos com doces em troca de beijos salgados e fez-nos olhar para o robô sempre que cantava e nos fazia um sinal. Um amigo seu guitarrista, com quem partilhou muitos palcos e digressões na estrada, batizou-a de “alma danada”. Lena reconhece-se nessa forma desalmada de ser, de cantar e de amar. “Tive muitas paixões, mas foram todas histórias infelizes. Posso dizer apenas que amei sempre intensamente. E parece que a minha alma de vez em quando tem vontade de fazer umas piruetas.” Este ano voltou a dar que falar por ter arriscado ir a votos no Festival RTP da Canção com “Nunca me fui embora”, do compositor Pedro da Silva Martins, um recado poético e autobiográfico para quem acha que tem andado afastada da música. Na ocasião esteve acompanhada dos músicos da banda "They´re heading west" e de Benjamin.

Nesta conversa Lena recorda a infância, o começo no rock, a fase de estrela e de ‘sex-symbol’, o período de escuridão e a decisão de trocar a cidade por uma aldeia, onde vive agora com os seus animais, rodeada de natureza. A preparar a gravação de um disco e a escrita de um livro, aos 60 anos, não vê a idade como uma desvantagem: “[A minha idade] é mais um assunto para os outros. [As rugas] são um sinal de que eu estou viva. Isto não pára para ninguém. Como dizia a minha mãe, só pára para os que morrem”.

Para ouvir este episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas", basta clicar na seta laranja que se encontra no topo deste texto ou descarregar no iTunes ou Soundcloud.