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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Miguel Pires, o “garimpeiro gastronómico” que procura ouro no prato

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Há sete anos que Miguel serve crítica da melhor lavra sobre onde comer bem no blogue “Mesa Marcada”, em conjunto com o critico gastronómico Duarte Calvão. Miguel Pires, 47 anos, é antes de mais um bon-vivant, com um talento especial para encontrar os melhores restaurantes e tascas na capital. Por isso mesmo, acaba de lançar o guia “Lisboa à mesa – onde comer, onde comprar”, com 350 sugestões para saborear Lisboa. Dizem que os homens se conquistam pelo estômago, mas no caso de Miguel costuma ser ele o sedutor à mesa. O que nem sempre corre como esperado. Como no jantar em que Miguel se desencantou com uma mulher quando ela comentou que os camarões eram apenas “gafanhotos do mar” e que a comida não passava de “combustível” para o corpo. “Bitch, you killed my vibe!” Porque à mesa, perante as delícias no prato, os corações podem incendiar-se ou gelar. Este é o ponto de partida para uma conversa deliciosa e apurada no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” que não vai querer perder

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição Sonora

Jornalista

Para ouvir os podcasts do Expresso nos seus dispositivos móveis e no computador, copie e adicione o seguinte URL à sua aplicação de podcasts: http://bit.ly/1TnvM3J

Este episódio corre o sério risco de lhe abrir o apetite, de lhe criar vontade de experimentar determinados restaurantes na capital ou de reproduzir certos pratos em casa — Como é o caso de um fígado de tamboril que um dia Miguel improvisou na sua cozinha para amigos e que encantou o grupo. Convenhamos que é o prazer à mesa e estes encontros de afetos gastronómicos que tantas vezes abrilhantam a vida. Por isso, inspire-se nos muitos assuntos aqui discutidos com Miguel Pires, um dos responsáveis do blogue sobre gastronomia “Mesa Marcada” — que é já uma instituição sobre o bem comer e o bem beber — e que acaba de lançar um novo guia “Lisboa à mesa, onde comer, onde comprar”. Um guia com opinião e cunho próprio, com classificações que vão do 3 (mínimos olímpicos) até ao 5 (ouro).

A conversa que pode ouvir aqui é também ela cinco estrelas e foi feita numa destas manhãs na cozinha do apartamento de Miguel Pires, entre duas chávenas de café. Mas não o de cápsulas. Café de Timor-Leste, moído ao momento, para que o sabor fosse o melhor, como antigamente.

Miguel é um hedonista e um apreciador do detalhe e do bom gosto. Que aqui tem duplo sentido.

A história de Miguel é a história de alguém que teve a coragem de sair do mundo da publicidade, mudou de vida para apostar no hobbie que sempre fora a sua grande paixão: escrever sobre comida, encontrar o ouro e a prata nos sabores que se servem na cidade. E hoje, além de co-autor do Mesa Marcada, e de ser cozinheiro amador e ativista no Instagram, escreve no jornal Público, nas revistas “Up” (da TAP), “Wine –Essência do Vinho” e “Prazeres da Mesa” (Brasil).

Perde-se o prazer quando o hobbie passa a profissão? – foi-lhe perguntado. “Eu não perdi. Posso provar um menu de 28 pratos como aconteceu há bem pouco tempo. E claro que chego àquele momento em que digo: ‘Nunca mais vou comer na vida’. Mas fico com memória de peixe, dizem que é de 7 segundos, não é? Passado umas horas, estou de novo feliz e contente a pensar no que vou comer outra vez. Claro que é preciso ter estômago e uma grande paixão por aquilo que se faz. Claro que, por vezes, não calha bem a obrigação de escrever num determinado timing quando o que te apetecia não era ter essa obrigação. Claro que tenho deadlines e isso mata um pouco o prazer. Mas o blogue colmata-me esse lado.”

Tal como cozinhar, saber onde comer é uma arte? “Sem dúvida. Saber onde encontrar e não ceder ao primeiro lugar que encontrar na esquina. Ontem desci a rua das Portas de Santo Antão, que é o nosso Tourist Trap (Ratoeira de Turistas) e vejo assim as pessoas a entrarem no que está à mão, entram e não percebem como estão a comer... nem quero utilizar um palavrão. É uma pseudo cozinha portuguesa, misturada com um falso italiano aqui um falso indiano ali. É tudo muito ‘fake’. Mas como sabemos, em todas as grandes cidades há casos assim. Por isso mesmo, vou fazer o guia em inglês e em espanhol.”

Depois, Miguel aconselha restaurantes específicos para experimentar a vários preços (tome nota!), fala de outros prazeres e descobertas, da música que o acompanha, do gosto pelas viagens e do futuro que o entusiasma.

Para ouvir este episódio, basta clicar na seta que se encontra no topo deste texto ou descarregar no Soundcloud.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues.