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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Mariama, o furacão que está a arrasar com o visual dos famosos

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Há muito que a televisão precisava de uma mulher-furacão como ela. Carismática, bem disposta, elegante e sem filtros, Mariama Barbosa, 41 anos, dita o bom e o mau gosto dos famosos no programa “Tesouras e Tesouros”, da SIC Caras. Veio da Guiné-Bissau aos 5 anos e fez-se mulher sozinha, com determinação e graciosidade. A relações-públicas da Moda Lisboa não poupa ninguém e chama de ‘chupa limão’ às tias enjoadas das festas. Abençoada seja. A ela e à sua indomável cabeleira ‘afro’. Um interessante agitar de águas neste mar tantas vezes ‘flat’ das celebridades nacionais. Embarque neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” onde mais do que o bem vestir, se discute o bem viver

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição sonora

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Motion graphics

Infografia

Para ouvir os podcasts do Expresso nos seus dispositivos móveis e no computador, copie e adicione o seguinte URL à sua aplicação de podcasts: http://bit.ly/1TnvM3J

Mariama Barbosa tem o 4 como o seu número da sorte. Nasceu na Guiné-Bissau às 4 da tarde de uma quarta-feira, do dia 4 de Setembro de 1974. O que só pode ter sido um bom presságio porque a boa disposição, o carisma e a boa energia são a imagem de marca desta mulata que é já considerada um dos barómetros nacionais do bom estilo e do bem vestir. "Só é feio quem quer!", é uma das suas máximas.

Mariama é desde o início do ano o furacão mulato que apresenta o programa de moda “Tesouras e Tesouros”, da SIC Caras, onde critica de forma desbragada o visual dos famosos que se deixam fotografar nas festas. Gostos não se discutem, ou talvez sim e em antena para aprendermos com os erros dos outros. Porque há algumas regras para parecer bem. Por exemplo à socialite Lili Caneças a relações públicas sugeriu uma cinta para esconder a barriga no vestido que não lhe assentava tão bem na Gala TV 7 Dias. Quanto à apresentadora Cláudia Borges comentou que fora aos Globos de Ouro vestida como umas personagens mais sexys do cinema de animação, Jessica Rabbitt — ‘demasiado máscara’, portanto. POW! POW! POW!

Mariama dá o peito às balas e fura o politicamente correcto das ‘beautiful people’ com um saudável sarcasmo. Alguma das figuras públicas que criticou já se zangaram consigo? – perguntámos. “Não. Graças a Deus nunca aconteceu e espero que nunca aconteça porque na realidade nós não estamos a discutir o carácter da pessoa. Simplesmente estamos a falar das roupas. Mas se alguém se sentir melindrado peço já as minhas desculpas mas tenho contactos de ‘stylists’ e podemos resolver isso.”, deixa o recado. E continua: “A crítica é construtiva. Só comentamos roupas em que as figuras públicas são fotografadas em eventos. Esmiúço os ‘looks’ dos famosos, sim. Mas faço-o de uma forma construtiva e não para denegrir. Eu sou sincera, acho que não sou politicamente correcta. Sou um bocado 'uélélé' nessas coisas. Sou ‘black’ mesmo! Digo [o que penso] e depois logo se vê.” Críticas de moda aparte, Mariama conta-nos neste episódio como aprendeu a levar a vida com determinação, garra e sem perder uma certa leveza, descontração e alegria invejáveis. E é aí que ela é enorme.

As suas memórias de infância são marcadas por uma triste despedida e uma grande viagem de avião, quando aos 5 anos os pais a enviaram para Lisboa para estudar num colégio interno. “Eles queriam que eu tivesse uma educação mais cuidada em Lisboa. Bissau estava a começar a erguer-se — ainda está — e, na altura, Portugal estava muito mais organizado em termos de educação. Foi uma época muito difícil, porque já se sabe... aos cinco anos ainda somos muito bebezinhos. Senti muita falta dos meus pais, do calor, da minha vida [na Guiné]. Vim para um país com muito frio, onde não conhecia ninguém. Foi complicado. É natural, porque sem os nossos pais ficamos completamente desamparados. Mas passou-se. Não guardo mágoas, guardo saudades. E estou rijíssima.”, desdramatiza.

Neste seu percurso já fez um pouco de tudo e subiu a pulso. Vendeu sandes num centro comercial, trabalhou num cabeleireiro, passou pela loja da estilista Lena Aires (no Bairro Alto) e, à noite, foi porteira do (extinto) bar Três Pastorinhos e da discoteca Lux, em Lisboa. Nesses meandros conheceu muitas figuras das artes e da moda. E foi pelas mãos de Dino Alves que começa no mundo que sempre desejou para si.

Relações públicas da Moda Lisboa e da agência de comunicação Show Press, há dez anos que é autora do blogue Mariama com K, onde dá conselhos de moda a quem a segue e, de vez em quando, ousa colocar imagens de homens que considera atraentes junto à palavra em letras maiúsculas: “CASO JÁ!” E chega a contar o dia em que teve um "blind date"(encontro às cegas) com um dos sujeitos para quem enviara um destes piropos. Mas não foi o que esperava. “Ele era lindo como na fotografia, mas a personalidade dele não estava em sintonia com a minha. Era muito sério. Ia sentir muita vergonha de estar comigo.”

Mais à frente na conversa, Mariama fala das singularidades de ser mãe solteira, do filho Zé Maria, de 5 anos — o grande amor da sua vida — refere os seus saudáveis devaneios, os prazeres (tantos e tão bons), as (tantas) músicas que a fazem dançar e os sonhos mais ou menos românticos dos quais não desiste. "Estou solteira e caso já!", brinca.

Uma conversa com uma certa leveza inspiradora que sabe tão bem. Porque tanto nas alegrias como nas dores Mariama tem um sorriso ou uma gargalhada para dar.

Para ouvir este episódio, basta clicar na seta que se encontra no topo deste texto ou descarregar no Soundcloud.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues.