Siga-nos

Perfil

Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Sílvia Baptista quer acabar de vez com o sexo de luz apagada

  • 333

Há dez anos começou a escrever sobre sexo no blogue “Cenas de Gaja” e foi chão que deu muitos textos, reflexões e dois livros sobre a intimidade deles e delas. Na altura assinava sob o pseudónimo “Princesa Sissi” e conquistou a blogosfera num estilo bem disposto, galhofeiro e desbragado ‘sobre o mundo das pessoas crescidas’. Inspirou-se nos desabafos de casa de banho que ouvia das amigas, nas conversas de café com eles e na sua relação com o sexo oposto. Uma janela que lhe deu acesso a crónicas em vários jornais e revistas e, mais tarde, a fazer treino emocional a mulheres. Agora, sem máscaras de princesa, volta a escrever sobre o que mais gosta no livro “Em Minha Casa Ou Na Tua?”, para acabar de vez com as mentiras sobre as relações amorosas e com o sexo no escurinho do quarto. Uma análise sobre a intimidade dos portugueses com muito vernáculo à mistura. Esta é a porta de entrada para uma conversa desassombrada no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição sonora

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Motion graphics

Infografia

Para ouvir os podcasts do Expresso nos seus dispositivos móveis e no computador, copie e adicione o seguinte URL à sua aplicação de podcasts: http://bit.ly/1TnvM3J

Este episódio contém algum vernáculo e muitas reflexões sobre a sexualidade deles e delas. Desta vez a conversa foi com Sílvia Baptista que há mais de dez anos debutou na blogosfera ao participar no 'Pastilhas’ de Miguel Esteves Cardoso. Ganhou-lhe o gosto e jeito e em 2006 passou a assinar sob o pseudónimo “Princesa Sissi” no blogue ‘Cenas de Gaja’ onde escrevia de forma desbragada sobre sexo e relações. Um desassombro sobre a intimidade com muita galhofa, bastante vernáculo e um olhar feminino e irónico sobre uma matéria ainda demasiado comprometida com medos, preconceitos e espartilhos. “Eu sempre fui conhecida pelos meus amigos como ‘Sissi’. E como tinha que arranjar um pseudónimo, [pensei] será Princesa Sissi, como a Romi Schneider que era uma mulher lindíssima. Mandei logo para cima.”

Foi um sucesso, claro está. O que lhe valeu a publicação de dois livros e, mais tarde, a publicação de crónicas na revista FHM, no jornal O Metro e na Cosmopolitan. Sexo, escreveu ela durante todos estes anos até aqui. Pelo caminho fez coaching [treino] emocional a mulheres e está a concluir uma pós-graduação em sexologia no ISPA ((Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida). O pontapé de saída para esta conversa foi o novo livro que acaba de escrever —“Em Minha Casa ou na Tua?” (editora Matéria Prima), que será lançado no próximo dia 29.

O que a leva a interessar-se tanto sobre este tema? Por achar ser um dos ingredientes importantes para a felicidade de uma pessoa.

“Não sei bem de onde vem o meu interesse por escrever sobre a sexualidade. Eu acredito que o sexo é transversal a tudo aquilo que nós fazemos e somos. Toca nas nossas áreas mais interiores. Mesmo que às vezes não tenhamos essa consciência. Traz ao de cima o que nós temos de bom e de menos bom. Não me interessa o sexo performativo. A mim não me interessa nada como se faz um ‘bico’[sexo oral], e se as pessoas gostam ou não. Isso não tem ciência. O que me interessa é como as pessoas se sentem em relação ao sexo. O que as motiva a gostar daquilo que elas gostam, o que elas pensam em relação à sua própria sexualidade.”

Nesta conversa, Sílvia Baptista, de 41 anos, responsável pelas edições internacionais de uma editora, diz-se na melhor fase da vida, a viver um amor feliz. Mas foram os amores e paixões errantes do passado as inspirações para o que escreve na sua última obra. Que tem como missão acabar com as mentiras sobre as relações amorosas e com o sexo de luz apagada. “Até esta relação feliz que tenho há cinco anos, as minhas relações amorosas não duraram mais do que quatro meses. O que me permitiu ter várias [ligações], de pequena duração, e tirar as minhas conclusões e ilações. As relações amorosas estão encharcadas de ideias feitas, tal como o sexo. [O problema é que] generalizamos demasiado e nestas questões das relações tendemos a achar que há um padrão para as mulheres, outro padrão para os homens, e que não há mais para além disso. Não é verdade. Pode haver três ou quatro características padrão, mas se fosse mesmo só assim isto seria tudo muito triste e muito chato”. Uma discussão que desfaz os eternos lugares comuns da sexualidade e que, a dado momento, voa para outras zonas mais íntimas e confessionais onde todos nos podemos rever, de uma maneira ou de outra. Para ouvir este episódio, basta clicar na seta que se encontra no topo deste texto ou descarregar no Soundcloud.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues.