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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

A fantástica história do pianista que tem salvado o mundo na BD

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Filipe Melo é um artista de mão cheia e a sua história dava um filme. Depois de um valente susto aos 14 anos por ter sido apanhado pela polícia a aceder a sistemas informáticos na era da pré-internet, trocou o teclado do computador pelo piano e é hoje, aos 38 anos, um dos mais reconhecidos músicos de jazz portugueses. Também deu cartas na realização ao dirigir o primeiro filme de terror português, vencedor do prémio de melhor curta-metragem no Fantasporto. E é ainda o autor da premiada trilogia de banda desenhada “As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy”. Ultimamente tem andado a percorrer o país com Bruno Nogueira e Manuela Azevedo no espectáculo “Deixem o Pimba em Paz” e prepara-se para publicar um livro de banda desenhada com 250 páginas sobre a guerra colonial na Guiné. O melhor é mesmo ouvi-lo no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Edição sonora

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Motion Graphics

Infografia

Para ouvir os podcasts do Expresso nos seus dispositivos móveis e no computador, copie e adicione o seguinte URL à sua aplicação de podcasts: http://bit.ly/1TnvM3J

Este episódio começa ao piano na casa de Filipe Melo e segue de forma errante pelas incríveis aventuras profissionais e pessoais que o têm levado longe. Filipe é a prova de que o talento multifacetado é possível e louvável. Pianista de jazz, compositor, professor de música na Escola Superior de Música, argumentista, realizador de cinema e autor de banda desenhada, tem estado sempre ao nível dos desafios gigantes a que se tem proposto. Mesmo apesar das inseguranças e angústias que confessa nesta entrevista. Humildade e perseverança são os seus nomes do meio.

Foi ele o realizador do primeiro filme de terror português, “I'll See You In My Dreams” (2003), uma curta-metragem sobre zombies produzida e realizada por Filipe Melo, em Tondela, que veio a ser premiada pelo Fantasporto. Foi também ele que dirigiu a série televisiva de culto “Um Mundo Catita” (2010), que em seis episódios contava uma história inspirada no mundo e nas personagens inventadas por Manuel João Vieira, para a RTP2.

Com a trilogia de banda desenhada “As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy”, junto à dupla argentina Juan Cavia (desenhador) e Santiago Villa (colorista), conseguiu o feito de lançar em 2012 uma versão inglesa com a chancela da Dark Horse, uma das maiores editoras de comics americanas (a mesma que publicou "Sin City", de Frank Miller, e "Hellboy", de Mike Mignola). São aventuras futuristas protagonizadas em Lisboa por um lobisomem (Dog Mendonça), um jovem precário entregador de pizzas (Pizzaboy), um demónio antigo encarnado num corpo de uma menina (Pazuul) e uma cabeça de Gárgula. “O processo de criação é sempre de grande angústia e nem sempre estou preparado para o enfrentar. Uma coisa é certa: cada dia estou menos preocupado em julgar as minhas próprias coisas de uma forma que as sabote. Estou farto de ser o meu próprio inimigo criativo. À medida que vou avançando, interessa-me muito mais falhar e fazer as coisas mal, mas perceber o que falhou, do que não as fazer.”

Nesta conversa, Filipe conta que durante alguns anos foi ao cinema com João Manuel Serra, que se tornou conhecido como “O Senhor do Adeus”. Uma popular personagem lisboeta, falecida em 2010, que acenava aos carros que passavam na zona do Saldanha - com ele aprendeu que não é difícil ser-se boa pessoa. “Ele não era louco e merece toda a homenagem que lhe seja feita. Tinha uma capacidade especial para trazer o melhor que há em cada um. Mesmo naquela maneira tão rápida que era dizer adeus aos carros.” E neste podcast faz um desafio aos ouvintes que se queiram juntar a ele nas suas tertúlias cinéfilas semanais.

Ultimamente, Filipe tem andado pelo país com o espectáculo “Deixem o Pimba em Paz”, na companhia de Bruno Nogueira e Manuela Azevedo, um trabalho ousado em que propõe arranjos musicais de jazz e pop para músicas pimba (dirigido em parceria com o músico Nuno Rafael). E está prestes a lançar uma nova banda desenhada, sobre as dores da guerra colonial na Guiné, intitulada “Os Vampiros”, um nome tomado de um grupo de comandos e inspirado num dos temas de Zeca Afonso. “O meu objetivo não é chegar a muita gente. Não é ficar célebre. É fazer qualquer coisa que sinta ‘olha, é isto que eu queria fazer’. Mas [tal coisa] nunca acontece em pleno. Acontece apenas numa pequena escala. E, muitas vezes, só acontece muito tempo depois quando revejo o que fiz e digo ‘ok, isto não está mau’.” O que Filipe tem aprendido é que o importante é fazer. Mas há muito, muito mais para ser revelado nesta entrevista em podcast, que não deve perder.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues