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Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

Rui Portulez, o radialista que conta a rimar as peripécias de ser pai de três filhos

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É artista de rádio, locutor de publicidade, crítico de música, dizedor de poesia e agitador cultural. Foi durante mais de uma década a voz das manhãs da Rádio Oxigénio mas há dois anos, por um novo amor, despediu-se da emissora e foi viver para o Porto à procura de novas poesias para a vida. Mas antes de tudo, Rui Portulez é pai. Um pai de três filhos que, no final deste ano, contou em verso as peripécias quotidianas da sua família. Foi a partir de uma brincadeira de palavras com os filhos que Portulez escreveu “Rima não Rima?”, um dos poucos livros portugueses de poesia dirigido aos mais novos que não fala de princesas, nem de fadas ou bichos falantes. É a vida como ela é, a rimar e a inspirar neste novo episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Sonorização

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Motion Graphics

Infografia

Esta conversa foi marcada pelo som do eléctrico 28 e pelo toque da sineta a avisar nova fornada de pastéis de nata quentinhos. Estávamos na livraria Fyodor Books, no Chiado, mesmo em cima do Cinema Ideal, o local onde Rui Portulez acabara de lançar o livro de poesia para crianças “Rima não Rima?”.

A escritora Dulce Maria Cardoso, que apresentara o livro em Lisboa (no Porto fora apresentado pelo escritor Álvaro Magalhães) afirmou convicta que “temos poeta” e elogiou-lhe o facto de ter escrito um livro para crianças politicamente incorrecto, que faz o elogio às gomas coloridas e que inclui palavras difíceis como “harware”, “idiossincrasia” e “paradoxo” —“Para os pais participarem na leitura com os filhos.” Xavier, Mariana e Laurinha são as estrelas deste livro, com ilustrações de Inês Branco. “Um álbum de fotografias em verso, para sempre folhear.” Nele passeia-se pelas aventuras banais do quotidiano, a louca corrida da sopa, o sonho do filho Xavier em tocar com os Xutos & Pontapés, os passeios à Gulbenkian, as tardes na praia, as compra das gomas e outros entreténs de fim-de-semana.

Aos 44 anos Rui Portulez reinventou-se. Deu-se à vida. Deixou Lisboa e a rádio Oxigénio por amor e sede de novos estímulos e foi viver para o Porto. Nessa mudança começou a dizer pelo país as palavras dos poetas, como Alexandre O´Neill, Mário Cesariny e Sophia de Mello Breyner Andresen. Ou a apresentar espectáculos de homenagem a Almada Negreiros ou José Mário Branco. Para inspirar e apontar caminhos em tempos de crise. “Acredito que podemos mudar o mundo, mas que o melhor é começar por nos mudarmos a nós.”

Deus está em toda a parte e a voz de Portulez também. Já fez locução de todo o tipo de anúncios publicitários (inclusive campanhas do Expresso) e é a voz atual do canal Foxlife. Mas a sua paixão maior é a rádio. E nesta conversa não poupa críticas ao conceito de rádio de entretenimento — a chamada rádio de companhia — feita como se faz o algodão doce ou o sumo instantâneo. “Acredito que se pode fazer boa rádio em Portugal, tocar boa música, ter boas conversas, entrevistas, reportagens. E o Norte precisa de uma voz mais forte nos media.” Melómano convicto ainda nos aconselha o melhor do que anda a tocar por aí. Ora oiça.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues.