Siga-nos

Perfil

Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

A felicidade simples: Marga, que rumou a sul por amor

  • 333

Marga Munguambe foi durante dez anos a vocalista da banda Cool Hipnoise, uma referência obrigatória da mais moderna música portuguesa, e cantou (quase) de tudo: soul, jazz, funk, fado, bossa nova, roots, afrobeat, reggae. Uma época em que viveu intensamente as noites longas lisboetas. Mas há 8 anos, por amor, deixou a capital e rumou a sul para ser mãe e abrir uma tasca com o companheiro, na aldeia do Burgau — um dos segredos mais bem guardados do Algarve. Marga recebe agora quem vier por bem na sua casa de petiscos e a grande estrela no prato é o polvo. Pitéus à parte, nessa galáxia a sul continua a cantar, brilha como nunca, e não perdeu a sonora gargalhada. A felicidade simples, poética e calma, contada esta semana no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

Bernardo Mendonça

Bernardo Mendonça

Entrevista e ilustração

Jornalista

João Santos Duarte

João Santos Duarte

Sonorização

Jornalista

Carlos Paes

Carlos Paes

Motion graphics

Infografia

Para ouvir os podcasts do Expresso nos seus dispositivos móveis e no computador, copie e adicione o seguinte URL à sua aplicação de podcasts: http://bit.ly/1TnvM3J

Aviso à navegação deste podcast: ouvir esta história pode inspirar todos aqueles que têm vontade de mudança. Ou os que anseiam em dar novos sentidos aos dias demasiado iguais e agitados nas grandes metrópoles. A história de Marga Munguambe não é do outro mundo — até é bem simples — mas apetece ouvir e onde não faltam deliciosas gargalhadas, intensas e livres como ela. Acima de tudo, ela é um exemplo de como o caminho para a felicidade pode estar num refúgio tranquilo à beira-mar, com os pés na areia. "Tudo partiu do meu gosto inato por ser tasqueira. E a vida conduziu-me à minha própria tasca [a Tasca Bar Nº9, no Burgau]."

Marga nasceu há 39 anos, em Maputo, Moçambique, filha da paixão assolapada de uma portuguesa e de um moçambicano, mas veio logo para Lisboa ainda bebé de colo mal rebentou a Guerra Civil. Nunca mais regressou. Cresceu no bairro de Benfica, em Lisboa, desligada da cultura africana. "Existiam os miúdos cabo-verdianos que viviam nas barracas, às portas de Benfica, mas não me identificava com eles." Aos 18 anos sentiu pela primeira vez na pele um ato de racismo quando respondeu a um anúncio para trabalhar em telemarketing. 'Fui excluída por ser escura. Achavam que não iria ter credibilidade." A música encontrou-a por acaso de tanto andar por aí "de garganta solta". De 98 em diante Marga substitui Melo D nos Cool Hipnoise e passa a ser a voz de uma banda que marcou pela irreverência, fulgor e inovação musical (e que celebra agora 20 anos).
Marga foi entretanto mãe de um rapaz [O Guilherme, de 8 anos] e explica nesta conversa as vantagens de criar um filho numa aldeola algarvia. Na vida tem dois grandes projectos por cumprir. (Eram três, mas um deles entretanto já foi cumprido — acaba de tirar a carta de condução): "Quero voltar a procriar, quer ser mãe outra vez e, antes de acabar a minha vida, tenho que ir a Moçambique para conhecer a Terra Vermelha onde nasci e estar com a minha avó centenária."

Duas últimas notas antes de clicar no play: este episódio arranca com uma pequena prenda de Marga para todos os ouvintes. E as suas gargalhadas correm o risco de ser altamente contagiosas.

O programa “A Beleza das Pequenas Coisas” conta com música dos Budda Power Blues.