Siga-nos

Perfil

Expresso

Podcasts

Como esta fotografia mudou a vida desta mulher

Fátima Medeiros enfrentou a câmara fotográfica antes de enfrentar o espelho. Vimo-la antes de ela se ver a si própria, depois de operada, sem um peito. Quando a fotografia saiu, um telefonema mudou a sua vida. Bem-vindos ao podcast F5: histórias cheias de gente, contadas pelas pessoas que as viveram – e pelos repórteres que as contaram e não quiseram, ou não conseguiram, esquecê-las

Ana Baião

Assinar o F5 no iTunes: http://apple.co/2mt7IVW
Assinar o F5 no Soundcloud: http://bit.ly/2mB9KUa
Se usar Android, basta pesquisar Expresso F5 na sua aplicação


Uma cicatriz é uma marca na pele. Mesmo quando os outros não a veem, ela está lá. Permanece. Arrasta consigo uma memória. E é o sinal claro de uma história por contar. Em junho de 2013, o Expresso publicou a história de Fátima Medeiros e a cicatriz dessa mulher marcou também as jornalistas que assinaram a reportagem. É coisa que acontece e que não chega à esfera pública. As redações são espaços concentrados de memórias, cheios de gente e de histórias, de vida e de morte, de amor e de ódio, de emoções e tensões, que tantas vezes acompanham os repórteres para sempre. E para todo o lado. F5, o novo podcast quinzenal do Expresso, encontra e conta essas histórias, mostrando os bastidores da redação e acrescentando o futuro que cada história teve – que cada vida teve. Como a vida de Fátima Medeiros, que mudou depois da publicação desta reportagem, por iniciativa de um leitor. Carregamos na tecla "F5" para refrescar a memória - a nossa, a dos leitores e a das pessoas que foram notícia.

2012

Poucas horas antes de fazer uma mastectomia, Fátima cruzou-se com a médica responsável pela cirurgia e pediu-lhe: “Faça-me aquilo que faria a si ou a uma filha sua no meu lugar”. Naquele caso, o tumor não obrigava a tirar a mama toda, mas a médica respondeu-lhe: “Eu tiraria tudo, porque o risco é muito grande. Tem um tipo de cancro muito agressivo”.

Horas depois, Fátima acordou da anestesia e levou de imediato uma mão ao peito “num rasgo de esperança que ainda estivesse lá qualquer coisa” e deparou-se com “nada” - um vazio total.

Meses de espera

Depois da cirurgia, Fátima, Medeiros, funcionária pública na altura com 54 anos, nunca mais olhou para o espelho. Sentia-se mutilada, feia, pouco feminina. Queria submeter-se o mais depressa possível a uma operação de reconstrução da mama, mas viu-se engolida por uma enorme lista de espera para cirurgia plástica. Passaram-se mais de 8 meses e nada - um novo vazio total.

Até que Fátima soube por um médico que uma jornalista procurava um caso de cancro da mama para uma reportagem. Convencida pela filha, aquela mulher que evitava há meses o espelho aceitou despir-se perante uma câmara fotográfica, num estúdio enorme, num edifício onde nunca tinha entrado antes. Tirou a roupa e enfrentou de frente a fotojornalista. Os disparos que se seguiram mudaram a vida dela, a das repórteres e até a do jornal. Fátima abriu uma porta como quem rasga a pele e deixa uma marca.

Assinar o F5 no iTunes: http://apple.co/2mt7IVW
Assinar o F5 no Soundcloud: http://bit.ly/2mB9KUa
Se usar Android, basta pesquisar Expresso F5 na sua aplicação