António Pires de Lima afirmou hoje ser "quase inevitável a pressão de uma entidade como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para Portugal fazer as reformas" necessárias se não existir um Orçamento que permita cortar a despesa em 2011.
O presidente da Unicer e ex-dirigente do CDS-PP acrescentou que "infelizmente, estou a começar a acreditar que só com a intervenção dos nossos credores, através provavelmente do FMI, vamos ter a coragem de conseguir fazer aquilo que é preciso fazer".
Pires de Lima disse ainda à margem da 10.ª Conferência Anual "Visão de um futuro sustentável", que decorreu no Estoril, que "se se confirmar -- e eu espero que não se confirme -- que no final de 2010 a nossa consolidação foi feita toda à custa da receita e crescendo a despesa três ou quatro por cento em vez de não ter crescido nada, e se tivermos um orçamento ambicioso e credível que permita cortar a despesa em 2011, acho que vai ser quase inevitável a pressão de uma entidade como o FMI para Portugal fazer as reformas que tem de fazer", acrescentou.
Falta de "lucidez, credibilidade e coragem"
O presidente executivo da Unicer afirmou não ver "lucidez", "credibilidade" e "coragem" nos políticos e partidos principais "para se fazer uma reforma que permita a Portugal inverter esta tendência que já tem muitos anos de crescimento da despesa e aumento do endividamento".
Pires de Lima sublinhou que o país vive, "fundamentalmente, à custa do dinheiro que outros vão emprestando todas as semanas" e acrescentou que Portugal está a chegar "a um ponto em que vamos acabar por ser obrigados a fazer aquilo que os nossos credores decidirem".
O também antigo deputado do CDS-PP acredita, contudo, que não será necessário fazer um Orçamento retificativo e acredita que o Governo vai cumprir a meta de 7,3% de défice para este ano: "O que não me parece é que essa meta vá ser atingida -- pelos dados que dispomos neste momento -- de uma forma mais saudável, isto é, com o corte na despesa que tinha sido estimado", disse.
O presidente executivo da Unicer defendeu que a educação e a saúde são áreas que "têm de ser geridas com critérios de maior eficiência" e sugeriu que a redução de salários dos funcionários públicos, "pelo menos em determinados níveis", deveria ser um tema a ponderado no próximo Orçamento do Estado.