Tim Berners-Lee
, considerado pai da Web, alertou para o "flagelo" das legislações antipirataria, que, em alguns casos, podem levar à suspensão do acesso à Internet, como em França ou no Reino Unido.
Numa conferência sobre a Internet na Royal Society (Academia de Ciências), em Londres, Berners-Lee denunciou "a vaga de legislações que entendem dar ao governo e aos fornecedores do acesso à rede o direito e o dever de desligar as pessoas".
Este "novo flagelo" a que Berners-Lee se refere inclui uma lei francesa que deve entrar em vigor este ano e que ameaça cortar o acesso à Internet a quem descarregar conteúdos de forma ilegal e uma lei adotada no Reino Unido em abril que pode conduzir ao mesmo resultado.
"Que possamos suspender o acesso à Internet a uma família francesa porque uma das crianças descarregou um conteúdo ilegalmente, sem julgamento, penso que é uma punição inoportuna", afirmou.
Vida destruída
Para um dos pais fundadores da web, é importante "poder continuar a utilizar a Internet". E argumentou: "Se o acesso me é cortado, por uma razão ou por outra, a minha vida social seria totalmente destruída. Para alguns, trata-se de um acesso à informação médica."
Berners-Lee, professor do MIT (Instituto de Tecnologia no Massachusetts), referiu ainda que o Senado norte-americano vai analisar esta semana uma proposta de lei que autoriza o governo a criar uma "lista negra" de sites que podem ser bloqueados pelos fornecedores de acesso à rede.
Vinte anos depois de ter concebido o primeiro web site, Tim Berners-Lee considera que a "Internet atravessa uma fase crítica" e apelou aos especialistas presentes na conferência de Londres para lutarem contra a restrição da web, criada para ser um local de liberdade.
Defendendo que os fornecedores de acesso à rede não devem ser, em geral, responsabilizados pelos conteúdos online, Berners-Lee admite que a questão do terrorismo e do crime organizado constituem "uma exceção" a este princípio.