22 de maio de 2013 às 17:05
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Como funciona a pílula do dia seguinte (gráfico animado)

Alexandra Simões de Abreu (texto), Sofia Miguel Rosa (infografia)
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Tornou-se uma forte aliada das mulheres quando o método contracetivo habitual falhou ou não foi usada qualquer proteção



Após uma noite quente de rebéubéu, nham nham, hum hum, sem proteção... Ups!

E se fosse possível fazer control+alt+delete? É isto a pílula do dia seguinte. Um medicamento que se for tomado nas primeiras 72 horas após uma relação sexual desprotegida, evita uma gravidez indesejada.

Evita. Leu bem. Estas pílulas "não são abortivas e não funcionam a 100%. A sua taxa de eficácia situa-se entre os 75% e os 90%", alerta Tereza Paula, ginecologista, membro da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

Existem dois tipos destas pílulas no mercado. As primeiras, à base de levonorgestrel, têm de ser tomadas até 72 horas depois do ato sexual e a sua eficácia vai reduzindo à medida que se aproxima o fim daquele tempo. A mais recente, denominada pílula dos cinco dias, tem como substância ativa o acetato de ulipristal e permite ganhar tempo e segurança, uma vez que a toma do comprimido mantém o mesmo grau de eficácia seja administrado no início ou no fim das 120 horas após a relação sexual. Só que, é mais cara (cerca de €20), não tem comparticipação e precisa de receita médica, ao contrário da primeira que é de venda livre e pode ser adquirida gratuitamente nos centros de saúde. Porém, convém realçar que se uma mulher precisa de fazer várias repetições no mesmo mês, então é preferível tomar a pílula contracetiva regular, que é mais eficaz e barata. Embora, ao contrário da ideia que foi crescendo nalgumas cabeças, o uso da pílula oral de emergência não aumenta o risco de uma gravidez fora do útero, nem o risco de má formação fetal, ou tão-pouco o risco de infertilidade. Estes são alguns dos mitos que Tereza Paula gostaria de ver desfeitos de uma vez por todas. "Não há sobredosagem que possa ser má para a saúde." Basta ter em conta que há 40 anos as mulheres tomavam uma dosagem diária com uma carga hormonal "correspondente à das pílulas do dia seguinte".



A própria Organização Mundial de Saúde divulgou um documento onde afirma que este tipo de pílula é seguro para a saúde da mulher.

Além destes mitos, há um outro problema que segundo Lisa Vicente, chefe de Divisão de Saúde Reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde, "persiste e precisa de ser ultrapassado: a conotação negativa e de irresponsabilidade que se colou às mulheres que a utilizam. Se existiu um erro contracetivo, afinal o que é mais irresponsável, deixar seguir o erro ou corrigi-lo?", pergunta Lisa Vicente. Curiosamente, tendo em conta os estudos já realizados e a experiência das ginecologistas a contraceção oral de emergência é "normalmente utilizada por mulheres jovens e bem informadas", adianta Tereza Paula e não tanto por adolescentes.

A pílula do dia seguinte altera a condição de receção e isso atrasa ou impede a ovulação (veja infografia). Não se trata pois de um método abortivo. "Pode falar-se em aborto quando o embrião está implantado o que não acontece nos primeiros três dias. Aqui o óvulo pode estar fecundado, mas não está implantado. E se o embrião não tiver terreno para se implantar não há vida", explica Tereza Paula. Estando grávida a pílula já não vai fazer efeito.

Por outro lado, há que ter em conta que a toma da pílula do dia seguinte pode ter efeitos secundários, nomeadamente dor de cabeça, náuseas, vómitos, tonturas ou dores abdominais. A ginecologista alerta para o facto de "se por acaso vomitar bastante nas primeiras duas ou três horas após a ingestão da pílula, deve tomar outra". Se tiver alguma doença e se toma determinados medicamentos, como "antiepiléticos por exemplo, ou medicamentos para a tuberculose e certos antibióticos", deve falar com um técnico de saúde antes de tomar a pílula do dia seguinte.

Sendo o plano B da mulher, não é de estranhar que nos primeiros sete meses deste ano se tenham vendido mais 40 mil pílulas do dia seguinte do que em todo o ano de 2009. Lisa Vicente remata: "Significa que as mulheres estão mais bem informadas."

(Publicado na revista Única de 27 de Novembro de 2010)


Comentários 24 Comentar
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D R A M A
Se os Srs. Jornalistas estivessem à segunda-feira de manhã nos Centros de Saúde, e vissem a quantidade de mães, com filhas ainda muito jovens, a pedir a pílula do dia seguinte, certamente mudavam de opinião em relação ao "aliado" da mulher. As jovens estão a ficar dependentas dessa pílula. Efeitos secundários daqui a una anos?... ninguém sabe, não interessa.
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Aliada das mulheres?
Penso que será aliada das mulheres e certamente dos homens, em muitos dos casos. Será, isso sim, um inimigo do espermatozóide.
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Consequências irresponsáveis
Há alguém que explique correctamente e sem omissões às nossas adolescentes e mulheres, as consequências duma pilula do dia seguinte? Ou será que é só impingir, como solução milagrosa para todos os males, principalmente para o da iresponsabilidade? Infelizmente, vivemos numa sociedade onde o facilitismo e a leviandade impera, sem que haja uma obrigação de assumir as responsabilidades pelos actos cometidos...ciando-se assim uma mentalidade de impunidade, o que leva a repetir vezes sem conta os mesmos actos. Quais as consequências futuras para estas mulheres? Talvez mais graves do que as consequências que quiseram evitar.
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É lamentável
Para além das opiniões aqui expressas, é lamentável ver um membro da Sociedade Portuguesa de Ginecologia permitir denominar-se um (já) ser humano por "óvulo fertilizado ", para não incorrer na precepção de ABORTO. Afinal o que significa "inibição dos recetores daprogesterona (hormona necessária para manter qualquer gravidez).", senão método abortivo?

Enfim temos jornalistas e médicos a contribuir para a matança de portugueses e degradação da saúde das suas mães. E anda gente competente no desemprego...

Consequências admitidas pelo INFARMED:
http://aeiou.expresso.pt/... p=view#3711051
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Pois...
Aventurar-me-ia a alvitrar que todos quantos aqui comentaram,são homens...
Logo os menos indicados para falar e criticar a contracepção,ou até mesmo a interrupção de uma gravidez..
Não são nem nunca serão gestantes...
Homem,tem sempre uma opção quando uma gravidez é indesejada,dão ao slide...
Re: Pois... Ver comentário
Façam como eu........
Façam como eu, bebo sempre um copo de maduro tinto antes de ter penetrações anuais com a minha amante. Ela nuca engravidou. Ela nunca tomou pílula. O que é preciso é uma boa receita, e escolher bem a via por onde se segue....
várias vezes no mesmo mês...?!?!
"Porém, convém realçar que se uma mulher precisa de fazer várias repetições no mesmo mês, então é preferível tomar a pílula contracetiva regular, que é mais eficaz e barata." Não é só se precisa de tomar várias vezes por mês! Poupem-me!! Isso é um método de emergência!!
Controle de natalidade
Muito oportuna a matéria sobre a pílula do dia seguinte. já compartilhei com meus amigos no FB. Se puder, gostaria de comentar o seguinte:
Na cidade onde moro, Orlândia, SP, Brasil, as meninas estão engravidando cada vez mais cedo.
Segundo pesquisas recentes as causas são várias: desinformação, abandono, droga, analfabetismo, religião, família, amizades, etc.
Não tenho condições de aprofundar sobre o assunto pois não sou especialista, contudo, estamos vendo as meninas desinteressadas em brincar com bonecas, em contra partida, biologicamente estão preparadas para ser mães, sua menstruação vem aos 10 anos, a religião católica muito presente, inibe o uso de contraceptivos, as escolas não falam sobre sexualidade, as oportunidades de trabalho são poucas, a escolaridade é mínima, os programas de saúde para as mulheres são insistentes. Em suma, falta-lhes expectativa, futuro...
Estou falando de uma cidade localizada na região mais rica do Brasil. Imaginem no restante do país.
Por isso sou a favor do controle de natalidade por parte do governo. Parece dos males o menor!
Comentários 24 Comentar
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