O advogado de Bruno Pinto (Pidá), um dos suspeitos de envolvimento em dois dos homicídios na noite do Porto, disse esta segunda-feira que está a preparar um recurso para contestar a prisão preventiva do seu cliente.
Luís Vaz Teixeira admitiu que possa apresentar o recurso ainda hoje."Estou a trabalhar nisso. É possível que entregue o recurso ainda hoje", disse o advogado à Lusa, sem avançar mais detalhes.
Pidá, alegado líder do gangue da Ribeira, 30 anos, segurança num shopping em Gaia, está em prisão preventiva desde 27 de Dezembro por suspeita de dois crimes de homicídio qualificado, o do empresário Aurélio Palha e o do segurança Ilídio Correia, ocorridos, respectivamente, a 27 de Agosto e 29 de Novembro.
A juíza Anabela Tenreiro, do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, validou também a acusação contra Pidá da prática de 12 crimes de homicídio na forma tentada, de um crime de ofensa à integridade física e de um crime de detenção de arma proibida.
A magistrada justificou o envio de Pidá para prisão preventiva invocando perigo de fuga, perigo de continuação da actividade criminosa e de perturbação do inquérito, bem como alarme social.
Pidá não tem antecedentes criminais e numa entrevista à TVI, anterior à sua detenção, manifestou disposição em colaborar com a Polícia Judiciária na investigação dos crimes.
A defesa entende que são "fracos" os indícios de homicídio contra Pidá, apoiados apenas em testemunhos verbais.
Tal como Pidá, foram presos preventivamente a 27 de Dezembro, por alegado co-envolvimento nos crimes, Mauro Santos, Fernando Martins (Beckham) e Ângelo Ferreira (Tiné).
A polícia continua sem explicações para as mortes de Nuno Gaiato, a 13 de Julho, que terá estado na origem dos outros três homicídios, e a de Alberto Ferreira (Berto Maluco), a 9 de Dezembro, em Santo Ovídio, Gaia.
Para averiguar estes e outros crimes relacionados com a noite do Porto, o Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, determinou a criação de uma equipa especial de investigação liderada pela procuradora Helena Fazenda, do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).
De acordo com informações da PGR, a equipa deverá completar-se esta semana, não integrando Felisberto Teixeira, o procurador-adjunto do Porto que dirigia um dos inquéritos.