25 de abril de 2014 às 8:33
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Picasso esquecido 50 anos num museu dos EUA

Obras de Pablo Picasso são notícia esta semana por duas razões, uma foi redescoberta no armazém do museu de Evansville, outra está retida pelo Governo britânico.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)agências
"Mulher sentada com chapéu vermelho", de Pablo Picasso


Michael Wheatley /Evansville Museum of Arts, History & Science "Mulher sentada com chapéu vermelho", de Pablo Picasso

Quase meio século depois, foi redescoberta na passada terça-feira uma obra de Pablo Picasso que, por erro de catalogação, ficara 'esquecida' durante todo este tempo no fundo do museu de Evansville, no Estado do Indiana, nos EUA.

Curiosamente, "Mulher sentada com chapéu vermelho", descrito por engano como um Gemmaux (na verdade, a palavra não significa o nome do artista, mas apenas o plural da técnica gemmail), tem, afinal, bem visível, no lado superior direito, a assinatura do pintor espanhol.

Agora que está perfeitamente identificado, o "Mulher sentada com chapéu vermelho" vai a leilão em Nova Iorque, uma vez que a direção do museu de Evansville concluiu não ter condições financeiras para expor, preservar e proteger este "tesouro" de Picasso. A leiloeira é a Guernsey, mas o valor base da licitação não foi revelado.

A obra foi doada ao museu de Evansville, em 1963, pelo designer industrial Raymond Loewy. Quando o museu recebeu o valioso presente, este vinha acompanhado de documentação indicando que a obra era de um artista Gemmaux - confundindo a técnica com o nome do autor -, inspirado no trabalho de Picasso.

O pintor espanhol era menos conhecido por esta forma de arte, mas chegou a produzir pelo menos 50 ou mais peças em gemmail  (trabalho em vidro colorido, iluminado por trás, dando a ilusão de  ter três dimensões) nos dois anos em que trabalhou no Malherbe Studio, em França, segundo um comunicado do museu.

"Niño com Paloma" vendido a milionário não pode sair do Reino Unido


Mas há outra razão para esta semana Picasso ter voltado a ser notícia. Há uns meses, um comprador estrangeiro adquiriu por cerca de 63 milhões de euros um quadro do pintor espanhol. Hoje, porém, o Governo britânico decidiu reter o "Menino com pomba" (tinta acrílica sobre tela), impedindo, assim, a sua saída do Reino Unido, pelo menos até dezembro, com o objetivo de conseguir fundos para que o quadro continue em território nacional.

O Governo britânico fundamenta a sua decisão num parecer do Conselho das Artes de Inglaterra. Os especialistas consideram que a obra cumpre os chamados "critérios de Waverley" para que seja bloqueada a sua exportação.

Primeiro, a sua ligação à História do Reino Unido (de modo que a sua saída é considerada uma desgraça). Em segundo lugar, a excepcional relevância estética, e, em terceiro, a sua importância para o estudo da arte ou da história.

De acordo com a BBC, o quadro - pintado em 1901 por Picasso - é muito conhecido no Reino Unido, tendo sido várias vezes exposto desde os anos 1970.

O "Menino com pomba", agora sem 'passaporte' e aos cuidados das Galerias da Escócia, estava desde 1947 na posse da família Aberconway, do País de Gales. Em março passado, a obra foi entregue à leiloeira Christie, tendo sido adquirida por um comprador estrangeiro não identificado.

 

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