A Faculdade de Economia da Universidade Católica Portuguesa prevê que o produto interno bruto (PIB) português vai registar uma contracção de 2,9% em 2009.
Já o défice das contas públicas deverá cheguar a 7,5% do Produto português e o endividamento pode ultrapassar os 100% num contexto de melhoria dos restantes indicadores económicos.
"O défice orçamental em 2009 deve situar-se entre os 6,5% e os 7,5% do PIB, enquanto o endividamento externo supera já os 100% do PIB, impulsionado em larga medida pelo aumento da dívida pública", diz a Folha Trimestral de Conjuntura, hoje divulgada.
Evitar novos estímulos orçamentais
Portugal, continua o relatório, deve "abster-se de novos estímulos orçamentais, até no sentido de garantir que os estabilizadores automáticos - mecanismos "automáticos" de estímulo à economia - funcionem adequadamente nos próximos trimestres", continua o relatório, que apresenta previsões mais favoráveis para a evolução da riqueza nacional.
Assim, os economistas estimam "que, no terceiro trimestre de 2009, a economia portuguesa tenha registado um crescimento de 0,4% face ao trimestre anterior", quando no segundo trimestre deste ano tinha crescido 0,3%.
Por outro lado, "a taxa de variação homóloga deve ter sido de -2,9%", quando no trimestre anterior tinha havido uma quebra de 3,7%.
A estimativa agora divulgada "confirma a melhoria relativa do desempenho da economia nacional, já observada no segundo trimestre do ano", diz o relatório, que estima, no entanto, um agravamento do desemprego.
"A estimativa para a taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2009 aponta para 9,6%, mais 0,5 pontos percentuais do que no trimestre anterior", dizem o relatório divulgado trimestralmente pela Faculdade de Economia da Católica.
A revisão das estimativas para o crescimento da riqueza nacional, reveladora de "uma clara melhoria do desempenho económico global relativamente ao início do ano", justifica também uma revisão das perspectivas de crescimento.
Assim, a Folha Trimestral de Conjuntura prevê que uma recessão de 2,9%, este ano, o que traduz uma melhoria de 0,8 pontos face às estimativas de Julho.
Incertezas continuam
Para 2010, a previsão "continua marcada por uma enorme incerteza", mas os economistas da Católica estão convictos "de que o crescimento do PIB em 2010 será positivo" em 0,6%, o que melhora num ponto percentual a sua previsão anterior.
A boa notícia do crescimento positivo já no próximo ano é, no entanto, temperada com a má notícia: "Este crescimento positivo tem um significado relativo, uma vez que o nível médio de produção deverá continuar abaixo do patamar absoluto atingido em 2007 e 2008, ou seja, continuaremos com uma situação de clara subutilização de recursos, com as consequências negativas expectáveis em termos do desemprego, do crédito malparado, das finanças públicas, das perspectivas de investimento e do crescimento potencial da economia", conclui o relatório.