26/05/2012 atualizado às 17:45
Página Inicial » Economia » Perdão da dívida "não é solução"

Perdão da dívida "não é solução"

O economista João Ferreira do Amaral diz que o perdão da dívida "não é solução" para as crises financeiras europeias e que a Grécia vai a caminho de um "desastre".

16:39 Segunda feira, 31 de outubro de 2011

O economista João Ferreira do Amaral disse hoje que o perdão da dívida "não é solução" para as crises financeiras europeias e que a Grécia vai a caminho de um "desastre".

"Com o nível de dívida externa que Portugal atingiu, não há condições para um crescimento sustentado", disse Ferreira do Amaral na conferência "O valor da poupança e o rigor das Finanças Públicas", promovida hoje pelo Tribunal de Contas em Lisboa. No entanto, "o perdão da dívida não é solução", acrescentou Ferreira do Amaral.

"Uma reestruturação reduz muito as possibilidades de financiamento do Estado e do sistema bancário no futuro. A reestruturação significa um perdão da dívida, um incumprimento, o BCE [Banco Central Europeu] terá mais dificuldade em emprestar aos bancos no futuro, e é muito mais difícil os mercados voltarem a confiar quer no Estado quer nas instituições do país.

Como vamos precisar de financiamento externo durante muitos anos, creio que é muito perigoso avançar por uma pseudo solução dessas", disse o economista.

"Vamos ver o que acontece à Grécia. Julgo que vai ser um desastre"


"Vamos ver o que acontece à Grécia. Julgo que vai ser um desastre." Para o economista, "só há uma solução" para a crise das dívida que afeta Portugal: alcançar um excedente na balança de pagamentos.

Ora, o melhor "instrumento" para o fazer seria a "desvalorização cambial", que Portugal não pode utilizar por estar integrado na moeda única. Assim, Ferreira do Amaral defende que Portugal devia "sair do euro".

"A moeda única deixou de ser um projeto político viável"


"A moeda única deixou de ser um projeto político viável. Havia uma condição para se manter viável: que nenhum país entrasse em incumprimento. A Grécia mata o euro como projeto político para a Europa", disse Ferreira do Amaral.

Em declarações aos jornalistas, o presidente do Tribunal de Contas discordou deste opinião: "O euro é um projeto político com atualidade, que obriga a uma alteração estrutural da União Europeia", disse Guilherme d'Oliveira Martins.

"Precisamos de um vice-presidente que assuma claramente as questões do governo económico da União", disse Oliveira Martins.

Faça login pelo Facebook e comente este artigo!
Página 1 de 1   
ordenar por:
mais votados ▼
Desmontando
Nunes da Silva (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 23:30 | Segunda feira, 31 de outubro de 2011
Renegociar não implica obrigatoriamente perdão de dívida.
Renegociar poderia ser alargar o prazo das metas do défice por mais 1 ou 2 anos e assim aliviar medidas anti económicas.
    E/ou reduzir taxa de juro dos empréstimos.
    E/ou ajustar medidas para atingir as metas.

Desmontando medidas que vão tomar com o OE:
Suponhamos um funcionário que pague 30% de taxa de IRS.

    Por cada 100 euros que o Estado lhe paga, fica com 10 para a aposentação e 1,5 pare ADSE. E mais 30 para IRS. O Estado retém 41,5 euros e o funcionário recebe, líquido, apenas 58,5 euros.

    Se fizer uma compra com esse dinheiro e pagar 23% de IVA, devolve ao Estado 13,455 euros.

    Os outros 45,045 euros ficam no comerciante que, deles, irá pagar IRS e IRC.

    Do que lhe sobrar, irá pagar a empregados que, por sua vez pagarão IRS, IVA, etc.

    E assim sucessivamente.

    E só falei de 3 impostos mas o Estado e autarquias cobram mais impostos, taxas e multas.

    O dinheiro gira, dá emprego a quem precisa comer, etc., anima a economia, fá-la crescer.

    Exactamente o oposto do que está acontecendo.

                              António José de Matos Nunes da Silva

 
 Regras da comunidade
    Re: Desmontando    Ver comentário
azurium (seguir utilizador), 1 ponto , 17:05 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
Perdão da dívida "não é solução"
julcal (seguir utilizador), 1 ponto , 18:12 | Segunda feira, 31 de outubro de 2011
É verdade e é por isso mesmo que o percurso defenido pelo governo no presente orçamento deve ser abortado.
É que nem um só especialista conseguiu defender que a receita imposta a Portugal é significativamente diferente da que foi imposta à Grecia. Assim sendo se não queremos no proximo ano termos como única e má solução o perdão da divida, temos que desde já impedir que este orçamento seja aprovado.
Se o perdão da divida " não é solução" , o OE2012 também não o é .
O cumprimento unilateral dos compromissos internacionais de Portugal é impossível com este OE e só por si não uma condição nem necessária, nem suficiente para resolver e ultrapassarmos a crise.
Há que mudar o paradigma cá ( Portugal ) e lá ( Europa ).
 
 Regras da comunidade
    Re: Perdão da dívida    Ver comentário
VMDAF (seguir utilizador), 1 ponto , 1:18 | Quarta feira, 2 de novembro de 2011
    Re: Perdão da dívida    Ver comentário
julcal (seguir utilizador), 1 ponto , 13:48 | Quarta feira, 2 de novembro de 2011
há alternativas
bivolta (seguir utilizador), 1 ponto , 18:21 | Segunda feira, 31 de outubro de 2011
O grande capital financeiro e governos da UE e USA estão na ofensiva.
Querem a ruptura dos pactos sociais e não se importam com a ruína da economia real do país.
Por cá, a entrega da proposta de Orçamento para 2012 é a oficialização da declaração de guerra a 99% dos portugueses.
  Diante desse ataque, a passividade, as meias medidas, as respostas tíbias são o caminho certo para a derrota.
É preciso afirmar as coisas com clareza e sem rodeios: existem soluções alternativas, mas nenhuma delas dentro do actual sistema.
  Nenhuma solução razoável pode ser encontrada enquanto Portugal não recuperar a sua soberania monetária.
  Esta recuperação permitiria o lançamento de uma moeda de emissão estatal (e não bancária como agora) para financiar a economia nacional.
Tudo isto pode ser feito em conjunto com outros países que padecem situação semelhante. Além disso, o actual descalabro dos bancos portugueses – incapazes sequer de captar recursos internos para financiar a economia – permitirá uma nacionalização barata dos mesmos.
  Também é preciso afirmar com clareza que a dívida externa de Portugal (maior do que a da Grécia) é um problema mais grave e preocupante do que o défice das contas públicas e que os bancos portugueses são os principais responsáveis pela mesma. ...
 
 Regras da comunidade
Não deram uma oportunidade Grécia
Marshall2k (seguir utilizador), 1 ponto , 21:19 | Segunda feira, 31 de outubro de 2011
Temos de assumir que a Grécia, tal como Portugal... fizeram muitas coisas mal, é preciso corrigir.
Mas não da maneira que esta a ser feita, estrangular a economia, estrangular os consumidores.
Se não tínhamos dinheiro, como vamos ter daqui a 1 ou 2 anos?
O estado Português não esta a "fazer" dinheiro apenas esta a reter dinheiro, dinheiro que deixa de circular na economia deixa de cobrar impostos sobre esse, deixa morrer a economia interna...
 
 Regras da comunidade
    Re: Não deram uma oportunidade Grécia... o mal    Ver comentário
bivolta (seguir utilizador), 1 ponto , 21:42 | Segunda feira, 31 de outubro de 2011
POis
minhaopi (seguir utilizador), 1 ponto , 0:09 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
Não sou economista mas custa-me a entender que não se ache lógico que quem pede dinheiro emprestado, tem que pagar a quem lho emprestou. Óbvio que na Grécia vivem maus momentos, mas se alguém tem que viver em austeridade, esse alguém não é certamente quem emprestou o dinheiro, mas sim quem o pediu emprestado e o gastou. Por isso devemos pensar que isto é como uma família, quem pede dinheiro tem que pagar, se achamos que não temos condições para pagar créditos, simplesmente não os pedimos. E agora é uma bola de neve pois mais austeridade faz aumentar a recessão, etc etc. E agora ?
 
 Regras da comunidade
    pois, ta certo, mas...    Ver comentário
lysten (seguir utilizador), 2 pontos , 7:12 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
    Re: pois, ta certo, mas...    Ver comentário
istosólávaiàchapada (seguir utilizador), 1 ponto , 9:57 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
    continua    Ver comentário
lysten (seguir utilizador), 1 ponto , 7:20 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
    Re: POis    Ver comentário
aperto (seguir utilizador), 1 ponto , 12:06 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
Nem nunca foi, Doutos...
aperto (seguir utilizador), 1 ponto , 11:06 | Terça feira, 1 de novembro de 2011
Desaparecem 50% da divida, mas aparecem pelo menos! 20 anos de austeridade!

Quando a alternativa, vide Argentina, é que ao fim de 7/8 anos estão 'normais' .

Fartinho de dizer, e não é preciso ser Dr , sigam os exemplos existentes!

Esta chamada 'crise' nada mais é que especulação articulada!!

Doutos,
 
 Regras da comunidade
Página 1 de 1   
PUB
Email
O Expresso no
PUB




Capitais regressam dos paraísos fiscais
16:00 Sábado, 26 de maio de 2012,
PME: inovação é alavanca da competitividade
12:00 Sábado, 26 de maio de 2012, 2
A primeira página do Expresso Economia
23:50 Sexta feira, 25 de maio de 2012, 2
Bankia suspenso da bolsa de Madrid
10:50 Sexta feira, 25 de maio de 2012,
Documento de Estratégia Orçamental divide partidos
10:47 Sexta feira, 25 de maio de 2012, 23
Pingo Doce: produtores pagam fatura do 1.º de maio
9:48 Sexta feira, 25 de maio de 2012, 37
Presidente do Banco do Vaticano foi demitido
23:48 Quinta feira, 24 de maio de 2012, 22
Soares da Costa já rescindiu contrato com 300 trabalhadores
22:25 Quinta feira, 24 de maio de 2012, 1
Zippy entra na América Latina
21:17 Quinta feira, 24 de maio de 2012,
Leia aqui toda a informação das últimas 24 horas | últimos 2 dias |  anterior »
MBA
IAB