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Pensar o nosso país

João Monteiro Silva (Medicina, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto)
14:10 Quinta feira, 17 de março de 2011

O ponto com que queria lançar hoje a discussão é ainda o da manifestação da intitulada "Geração à Rasca" no passado dia 12 de Março.

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À sombra de um clima de descontentamento geral a que se associou nestes últimos meses uma sensação de que pelo poder da rua se podem resolver os problemas das pessoas e dos países, um grupo de jovens - naïves, inconsequentes mas potencialmente perigosos - organizou e promoveu as tais manifestações. Que, devo dizer, me surpreenderam pela adesão que tiveram que foi muito, mas muito significativa. E isso não deve ser escamoteado!

Analisemos contudo - e este será porventura o cerne da questão - aquilo por que se protestou. Foram matérias de fundo, foi-se para a rua pedir um Ensino mais exigente, uma Justiça mais célere e eficaz, uma política de atribuição de subsídios mais justa e que não promova o desemprego como o melhor dos empregos? Não, não foi isso que se foi para a rua pedir! E, todavia, é isso que definirá se, como país, sobreviveremos a muito curto prazo.

Custa, é duro para uma geração que se habituou a ter como adquiridas um conjunto de regalias, a dinheiro mais ou menos fácil e a um nível de vida superior às suas possibilidades perceber que seremos nós a ter de pagar os excessos que foram cometidos no passado. Porventura, à custa da nossa própria qualidade de vida.

Contudo, o que para mim é claro e aceitável - ter de pagar estes excessos, porque somos todos portugueses e se subimos todos juntos também caímos todos juntos - não é claro para muitos outros. Sobretudo aqueles que pomposamente se dizem de esquerda. Aqueles para quem todos deveriam ter tudo, ser iguais a todos, ter as mesmas coisas e as mesmas oportunidades que todos. Esquecem-se é de que quando as sociedades são niveladas assim, são niveladas por baixo, tornam-se insustentáveis e, inevitavelmente, caminham para o abismo. Deixa de ser valorizado o mérito individual de cada um, o trabalho de cada um, em última análise, o potencial de cada um.

Companheiros de jornada, jovens, pais, mães, todos os que me queiram ouvir. Temos de escolher o nosso caminho. É inevitável que os próximos anos sejam duros, que a nossa qualidade de vida saia prejudicada, mas ainda assim creio haver esperança. Podemos esconder-nos debaixo dos milhões de euros que nos emprestam ou então arregaçar as mangas, começar a pensar em como podemos sair desta situação. Cada um pensando o que pode fazer. Se e como pode abrir uma empresa. Como poderá rentabilizar e expandir mais o negócio que já tem. Se e como poderá trabalhar mais uma, duas ou três horas por dia. Aconselhemo-nos, procuremos ajuda entre nós, mas arregacemos as mangas e trabalhemos. Porque essa é a única solução. Não a rua...

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