Os utentes do Serviço Nacional de Saúde do concelho de Penamacor querem continuar a optar pelo hospital onde pretendem ser atendidos.
O direito de opção existia há já alguns anos, baseado num acordo entre a Câmara Municipal de Penamacor e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro.
Mas com a entrada em funcionamento da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULS), que tem sede no Hospital Amato Lusitano, caiu por terra esta exceção.
Para quem vive na vila de Penamacor e nas freguesias mais a sul - como Aldeia do Bispo, Águas, Aldeia de João Pires, Aranhas, Salvador, Pedrógão de S. Pedro e Bemposta - a deslocação até ao Amato Lusitano já faz parte da rotina, por ficar mais perto.
Mas o mesmo não acontece quando se fala na Meimoa, Benquerença, Meimão ou Vale da Senhora da Póvoa, que têm mais perto o Hospital da Cova da Beira, na Covilhã.
Os números são mais elucidativos do que está em causa.
Quem mora na Benquerença faz 31 quilómetros até à Covilhã, que demoram a percorrer cerca de 40 minutos.
Ir para Castelo Branco implica uma deslocação de 70 quilómetros, que resultam em cerca de uma hora de viagem.
António Luís Soares, o presidente da Junta de Freguesia de Benquerença, confessa-se "estupefato" com a alteração, que mexe com a prestação de serviços de ambulância.
"A decisão de canalizar todos os serviços de saúde para o Hospital Amato Lusitano penaliza muitíssimo os utentes do concelho de Penamacor e essencialmente os do norte do concelho", afirmou o autarca, que apresentou uma moção na Assembleia Municipal de Penamacor.
O presidente da Câmara Municipal de Penamacor discorda da decisão e pretende agendar uma reunião com a direção da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco para reverter a situação.
Domingos Torrão alega que concordou com a integração de Penamacor na ULS de Castelo Branco "porque tínhamos esta liberdade de escolha", acusando os responsáveis pela gestão da saúde de não terem honrado os seus compromissos.
O presidente lamenta ainda que a câmara municipal não tenha sido consultada previamente.
Questionada pelo Reconquista, a ARS Centro responde apenas que os esclarecimentos cabem à ULS de Castelo Branco, que tem "plena autonomia para decidir sobre o assunto".
Mas da parte da ULS nem sequer há comentários.
A moção segue agora para os grupos parlamentares na Assembleia da República e a ministra da Saúde.
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