Pelo bem da Europa, salvem-nos dos nossos salvadores
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O problema de defender a civilização europeia contra a ameaça dos imigrantes é que a ferocidade da defesa é mais ameaçadora para a "civilização" do que uma grande vaga de muçulmanos. Com defensores amigáveis como este, a Europa não precisa de inimigos. Há cem anos, G.K. Chesterton definiu o impasse em que os críticos da religião se encontravam: "Os homens que começam a lutar contra a igreja em nome da liberdade e da humanidade acabam por mandar a liberdade e a humanidade às urtigas, se só lutarem contra a igreja... Os secularistas não destruíram coisas divinas; mas destruíram coisas temporais, se é que isso lhes serve de consolo".
Muitos guerreiros liberais estão tão ansiosos por combater o fundamentalismo antidemocrático que acabam por dispensar a liberdade e a democracia, para só eles poderem lutar contra o terror. Se os "terroristas" estão dispostos a destruir este mundo pelo amor do outro, os nossos guerreiros contra o terror estão dispostos a destruir a democracia pelo ódio ao outro muçulmano. Alguns amam tanto a dignidade humana que estão dispostos a legalizar a tortura para defendê-la. É uma inversão do processo pelo qual os fanáticos defensores da religião começam por atacar a cultura secular contemporânea e acabam sacrificando as suas próprias recomendações religiosas na ânsia de erradicar os aspetos do secularismo que odeiam.
Mas os protetores anti-imigrantes da Grécia não são o principal perigo: são apenas um produto secundário da verdadeira ameaça, a política de austeridade que causou a situação insustentável na Grécia. A próxima ronda de eleições gregas terá lugar em 17 de junho. As instituições europeias advertem que são cruciais: está em jogo não só o destino da Grécia, mas talvez o destino de toda a Europa. Um dos resultados - o caminho certo, segundo eles - permitiria que o doloroso, mas necessário, processo de recuperação através da austeridade continuasse. A alternativa - se o partido de "extrema-esquerda" Syriza ganhar - é votar no caos e no fim do mundo (europeu) como o conhecemos.
Versão integral do artigo do "London Review of Books" em Presseurop.eu.



