25 de maio de 2013 às 2:02
Página Inicial  ⁄  Dossiês  ⁄  Dossies Economia  ⁄  Orçamento do Estado 2012  ⁄  Pedro Adão e Silva: Já somos a Grécia

Pedro Adão e Silva: Já somos a Grécia

A receita que nos é oferecida é um caminho para o desastre. Não é possível vislumbrar nenhum círculo virtuoso nesta solução: as receitas do Estado só poderão retrair-se, o défice e a dívida tenderão a crescer.

Pedro Adão e Silva (www.expresso.pt)

Até há dias, a estratégia do Governo passava por diferenciar Portugal da Grécia. Paradoxalmente, para evitar sermos vistos como a Grécia, a solução agora proposta é a mesma que levou ao descalabro económico e social que se vive nas ruas de Atenas. O fim dos subsídios de férias e de Natal, a somar a todos os outros cortes salariais e aumentos de impostos, terá inevitavelmente duas consequências: o colapso da procura interna e uma recessão ainda mais profunda do que o previsto. Entrámos definitivamente numa espiral recessiva que nos deixa apenas uma garantia - ao fundo do túnel, encontraremos um túnel ainda mais longo e escuro. Com o que se anuncia para o Orçamento de 2012, Portugal passou a ser a Grécia.

O primeiro-ministro justificou os cortes bem além do memorando da troika com base num conjunto de surpresas que terá encontrado. Nenhum dos documentos de execução orçamental conhecidos dá cobertura às afirmações de Passos Coelho. O único desvio conhecido resulta da Madeira, do BPN e da degradação da receita fiscal, fruto da austeridade adicional. Até prova em contrário, o elemento de surpresa é o conjunto de mitos em que assentou a campanha eleitoral do PSD. Recuperar as justificações de Passos Coelho para chumbar o PEC4 é penoso e fragiliza hoje a capacidade política do primeiro-ministro. Da austeridade que era excessiva passámos, como por arte mágica, para uma austeridade necessária. Para quem se alcandorou na verdade, estamos falados.

A receita que nos é oferecida é um caminho para o desastre e assenta num voluntarismo que recupera o pior dos amanhãs que cantam. Não é possível vislumbrar nenhum círculo virtuoso nesta solução: as receitas do Estado só poderão retrair-se, o défice e a dívida tenderão a crescer em percentagem do PIB, a economia colapsará e as famílias ficarão bem mais pobres, com o desemprego a disparar para valores que não encontram paralelo na sociedade portuguesa das últimas décadas. Tudo em nome de uma austeridade expansionista que não passa de uma ambição ideológica, desprovida de sustentação empírica - particularmente num contexto de crise económica que nos deixa dependentes de exportações que nunca poderão compensar todas as outras perdas.



Artigo publicado na edição impressa do Expresso de 15 de Outubro de 2011

Comentários 6 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
Pedro Adão e Silva já somos a Grécia
Eça de Queirós escreveu em 1872
"Nós estamos num estado comparável apenas à
Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade
política, a mesma trapalhada económica, a
mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência
de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas
quando se fala num país caótico e que pela sua
decadência progressiva, poderá vir a ser riscado
do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a
Grécia e Portugal"
(in As Farpas)
1872 … !!! Verdadeiramente impressionante !!! …2011

http://www.youtube.com/wa...

http://www.youtube.com/wa...

Mais palavras para quê. Inventamos o fado que já foi cantado por D. Afonso Henriques e os seus guerreiros, que provavelmente já o fazia também Viriato e por isso os Romanos dizerem que não nos gornamos nem nos deixamos governar.
ja somos a grécia
ja somos a grécia
o melhor e mais independente texto dos ultimos tempos
... cantando e rindo ...
Um acelerar da crise poderia ser vislumbrado neste orçamento ... acelerar a crise para mais rápido dela sairmos ... se assim fosse, até que poderiamos estar a observar um posicionamento forte deste governo ... ao qual lhe juntaria a capacidade de num futuro próximo, e após a redução previsivel da divida grega, e à laia de prémio, também termos uma redução da nossa divida ... infelizmente a nossa mania de sermos bons alunos, só nos tem prejudicado como se observou no passado, com as PAC´s, etc., etc., e agora vai dar no mesmo!
Infelizmente, parece-me que isto nos vai doer e bem fortemente, ainda mais nos jovens que por aí se preparam para viver no que me parece virá a ser uma nova Albania. Um empobrecimento crescente e acelerado, falta de ocupação para a maioria da população, porque as exportações não vão chegar para compensar o consumo interno em quebra.
Se essa rapaziada do governo tivesse peito para renogociar a divida a 25 anos com uma taxa de juro de 1%, o corte total das mordomias de quem nas tem no aparelho do estado e seus satélites, acho que que em vez de impostos e mais impostos, uma contribuição facultativa dos 10 milhões de portuguesas, com festa e tudo, resolveria o prolema, galvanizando este povo ... falem-lhe ao coração - os coreanos (dos sul) até os dentes em ouro que lhes brilhava na boca tiraram para entregar ao estado há cerca de uma década e meia aquando da crise deles ...
Re: Pedro Adão e Silva: Já somos a Grécia
O sr Adão deveria a par de outros do mesmo partido, ter estado contra as politicas do PM socialista que foi a maior aberração de todos os tempos.
Ao invés procuram limpar a barra parecendo meninos do côro.
Isto ainda lhes vai sair muito caro.
Viver com Dignidade
Será possivel renascer das cinzas ou terá que se fazer uma revolução?
PUB
PUB
Expresso nas Redes
Pub