O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, disse hoje em Fátima que os factos e as denúncias de casos de pedofilia na Igreja Católica exigem coragem, justiça, verdade e caridade.
No discurso de abertura de mais uma assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga reconheceu que o encontro dos bispos portugueses "acontece num ambiente sensível, em que se cruzam perplexidades e aproveitamentos em torno de factos ou denúncias a que os media têm dado ampla cobertura".
"Factos e denúncias que exigem, de todos, coragem na análise, justiça, verdade e caridade nas palavras e atitudes", defendeu o arcebispo de Braga, que se referiu ainda às vítimas da pedofilia e ao compromisso do clero.
Restabelecer a justiça
"Perante a grave lesão da dignidade pessoal das vítimas dos casos de pedofilia, importa restabelecer a justiça, purificar a memória e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de serviço aos homens", afirmou.
Em março, face aos escândalos de pedofilia na Igreja Católica, a CEP emitiu um curto comunicado no qual se lê que a instituição vai seguir "na abordagem dos possíveis casos de abusos sexuais por parte de membros do clero", as mesmas recomendações do Papa Bento XVI, que visita Portugal em maio.
Entre esses princípios estão o reconhecimento da verdade, auxílio às vítimas, reforço da prevenção e colaboração com as autoridades.
O mesmo comunicado promete "uma reflexão sobre esta temática, numa próxima reunião", sem especificar quando, sendo que, nesta assembleia plenária, a pedofilia não consta na agenda dos bispos.
A visita do Papa ao país, entre 11 a 14 de maio, foi também tema do discurso que deu início a quatro dias de trabalho dos prelados, com D. Jorge Ortiga a considerar que "esta é uma hora de grande alegria, entusiasmo e esperança".
Visita papal garante consistência
"Estamos com o Santo Padre", declarou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, acreditando que a mensagem do Papa vai dar ao projeto pastoral da Igreja Católica, onde se mantém o compromisso de fidelidade e a unidade, "maior consistência e visibilidade".
"Sentimo-nos comprometidos em dar esperança às nossas comunidades e fazemo-lo a partir de um horizonte marcado pela sabedoria, de modo a oferecer luz às complexas situações hodiernas", declarou.
O arcebispo de Braga referiu-se ainda ao tema da visita apostólica de Bento XVI, acreditando que esta também "deverá consistir em sublinhar algumas ideias estruturantes da sua sábia maneira de interpretar a experiência humana, a que a última encíclica deu particular relevo".
"Nesta encontramos um itinerário verdadeiramente programático que ainda não fomos capazes de assumir cabalmente e que, talvez por isso, a sociedade contemporânea não ousa descortinar como novidade para estes novos tempos", referiu.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Nota da Direcção do Expresso