Pedido julgamento imediato de Berlusconi
A Procuradoria-geral de Milão pediu hoje o julgamento imediato do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, acusado dos delitos de recurso à prostituição de menores e de abuso de poder no caso já conhecido como Rubygate. Em comunicado, a procuradoria indica ter transmitido ao juiz dos inquéritos preliminares a realização de um julgamento imediato, com base "na evidência da prova".
Silvio Berlusconi, de 74 anos, é alvo desde 21 de dezembro de um inquérito no âmbito do caso Rubygate, por ser suspeito de ter pago sexo com uma menor, a marroquina Karina El Mahrug (Ruby), um delito punido com pena de prisão em Itália. Berlusconi é ainda acusado de abuso de poder, ao intervir junto das autoridades no sentido de obter a libertação da jovem, detida em maio sob suspeita de furto. Na altura, Silvio Berlusconi alegou que Rubi era sobrinha do Presidente egípcio, Hosni Mubarak.
O pedido de julgamento imediato que tem de ser inferido por um outro magistrado do tribunal de Milão - o juiz de inquéritos preliminares - e é um procedimento acelerado que se baseia numa "prova evidente".
Os procuradores também enviaram um memorando, no qual rejeitam a possibilidade de que estes delitos tenham sido cometidos por Silvio Berlusconi como primeiro-ministro italiano.
"Uma farsa", diz Silvio Berlusconi
Em resposta, o primeiro-ministro italiano acusa a Procuradoria de Milão de agir "com um propósito apenas subversivo" e considera que as acusações são um pretexto para afastá-lo do cargo. As declarações de Silvio Berlusconi foram feitas numa conferência de imprensa sobre apresentação de medidas económicas, aproveitando o empresário e político para reagir à decisão de hoje da Procuradoria de Milão.
"Sobre esta história do julgamento posso dizer apenas que é uma farsa, trata-se de uma acusação que não tem qualquer fundamento. Esta investigação tem como único objetivo a difamação mediática", acrescentou o Berlusconi.
Tanto Silvio Berlusconi como Ruby negam que tenha havido sexo a troco de dinheiro e os advogados do primeiro-ministro contestam a competência do tribunal de Milão neste caso, apesar de reconheceram que o chefe do Governo teve uma intervenção a favor da jovem, justificando que o fez por pensar que era sobrinha do Presidente egípcio, Hosni Mubarak, e que queria preservar as boas relações diplomáticas entre os dois países.
"Não me preocupo por mim. Sou rico e posso dedicar-me a construir hospitais para crianças como sempre desejei", afirmou Silvio Berlusconi, tentado desvalorizar o caso.


Tony Gentile/Reuters
Silvio Berlusconi durante a conferência de imprensa de hoje sobre temas económicos e na qual abordou o Rubygate
