PS e PSD voltaram esta tarde às negociações sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), e vão continuar amanhã, para tentar evitar o voto contra do maior partido da oposição ao documento do Governo que amanhã à tarde vai a votos na Assembleia da República.
Sob orientação da própria Manuela Ferreira Leite, a direcção parlamentar do PSD está em contacto com a direcção do grupo parlamentar socialista e com o ministro Jorge Lacão. Se o PS não aceitar alterar o projecto de resolução que exige apoio para "os objectivos e as medidas do PEC", Ferreira Leite deverá anunciar amanhã que o PSD vota contra.
A líder social-democrata decidiu chamar a si a condução deste processo e não só será ela a intervir no Parlamento como será ela a gerir o sentido de voto na reunião do seu grupo parlamentar marcada para as 11h00 de amanhã.
José Pedro Aguiar Branco, o líder da bancada, tem defendido a abstenção, em nome da estabilidade política, mas os vice-presidentes do PSD que apoiam Paulo Rangel para líder do partido (Paulo Mota Pinto, Castro Almeida e Sofia Galvão) são pelo voto contra e a própria Ferreira Leite parece inclinada a assumir os riscos.
Pedro Passos Coelho sempre defendeu o chumbo do PEC de Sócrates se este não cedesse a propostas do PSD. Mas se o PSD votar contra, pode ser ele, se ganhar as directas de sexta-feira, a ficar com a gestão de uma eventual crise política nos braços.