O PCP considerou hoje que a escolha do ex-ministro social-democrata Faria de Oliveira para presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é mais um episódio da afirmação do "bloco central de interesses".
"É uma nova afirmação do bloco central de interesses que tudo domina, no plano político como económico, e que vai ao ponto de reivindicarem lugares em público", afirmou à Agência Lusa Jorge Pires, da Comissão Política do PCP.
O dirigente comunista lembrou a polémica entre o PS e o PSD em torno da escolha do novo presidente da CGD, com o líder dos sociais-democratas, Luís Filipe Menezes, "a reivindicar que deveria ser um membro do PSD a ser nomeado".
Para Jorge Pires, o Governo socialista de José Sócrates "amenizou a cedência" ao PSD escolhendo Faria de Oliveira, um quadro da CGD, actualmente em funções em Espanha.
O PCP voltou a criticar a "transferência" da anterior administração da Caixa, incluindo o seu presidente, Carlos Santos Ferreira, para o BCP, "sem principal concorrente e maior banco privado, levando consigo toda a estratégia da CGD para os próximos meses ou anos".
"É uma questão ética de enormíssima gravidade", afirmou Jorge Pires.
Sobre a escolha de Faria de Oliveira, Jorge Pires afirmou ser uma questão de "esperar para ver se foi ou não uma escolha acertada".