"Prudência", "cautela", "prudência"... Não há pergunta de jornalista que faça Paulo Portas assumir compromissos quantificados sobre impostos. Enuncia sempre princípios gerais, mas fica por aí. Diz que nenhum político responsável pode prometer uma baixa generalizada de impostos, mas vai semeando a ideia de regimes favoráveis aqui ou ali - para algumas PME, por exemplo. Ou para o turismo e restauração, como fez esta manhã: falou sobre ter "muita atenção com a competitividade fiscal das atividades turísticas" - mas não foi mais longe.
Em Seia, na Escola Superior de Turismo, Paulo Portas defendeu que o sector é estratégico para a economia portuguesa e que, "se tivermos uma fiscalidade muito pesada, isso contribui para as pessoas escolherem outros destinos". Os jornalistas que seguem a campanha querem saber mais: defende, então, o golfe com IVA a 6%, como pretende o Governo? A restauração deve manter-se na taxa intermédia do IVA ou, eventualmente, baixar? Paulo Portas responde apenas com "prudência", para que não exista contradição entre os seus propósitos e o compromisso nacional de consolidar as finanças públicas.
"Eu comprometo-me com o que considero que é neste momento possível de dizer, sem acesso aos dados da fiscalidade. Eu não estou na Direção- Geral de Contribuições e Impostos", responde o líder centrista. "Acho prudente ver primeiro para falar solidamente."
Taxar mais o presidente da TAP, "acho bem"
A fiscalidade foi também o mote para Paulo Portas virar o discurso para o eleitorado jovem. Na escola superior, o líder centrista lembrou que, pelos resultados de 2009, "nos novos eleitores o CDS duplica e o centrão afunda-se". Porque "as respostas do CDS são mais focadas".
Deu exemplos: as propostas centristas para flexibilizar a contratação, para promover o crédito aos novos negócios, o arrendamento, o planeamento de poupança. Ou a oposição ao Código Contributivo, que subiu para quase 50% a carga fiscal sobre os recibos verdes. "50% sobre o salário do presidente da TAP, acho muito bem - se calhar até é pouco. Mas 50% sobre recibos verdes?..."