O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, lançou hoje duras críticas à proposta do PS para publicar na Internet os rendimentos brutos dos contribuintes, classificando-a como uma medida de "striptease fiscal".
"Conheço países onde entregam declarações de património, mas aquilo que o governo faz é uma espécie de striptease fiscal onde colocam na internet os rendimentos brutos da classe média mas não colocam na Internet os impostos que cada pessoa paga", criticou.
Intervindo no encerramento das jornadas parlamentares, que decorreram em Guimarães, Paulo Portas acusou o Governo de querer "transparência no esforço que cada pessoa paga e opacidade quanto ao esbulho de quem cobra".
Dívidas do Estado também deviam ir para a Internet
"Porque é que não põem na Internet as dívidas que têm às famílias e às empresas? Porque é que não põem a totalidade dos compromissos já assumidos pelo Estado nesta primeira década do século XXI relativamente ao que isso significa do ponto de vista das próximas gerações?", questionou.
Um grupo de deputados socialistas vai apresentar um projeto de Lei que contempla o "levantamento parcial do sigilo fiscal", para permitir o acesso público ao rendimento bruto dos contribuintes, noticiou hoje o Diário de Notícias.
Em declarações à agência Lusa, o deputado do PS Jorge Strecht Ribeiro (um dos autores da proposta) explicou que a medida, "menos drástica" do que a já existente para os titulares de altos cargos públicos e políticos, é "puramente preventiva" visando uma mudança de comportamento de quem não cumpre.
"Não se trata de cada um de nós ter acesso direto às declarações dos
outros nem se o rendimento vem do trabalho, da pensão ou do capital (...) mas apenas e só do acesso público ao rendimento público de cada um de nós", disse.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo Ortográfico, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.