As revelações de Paulo Penedos surgem no mesmo dia em que, esta tarde, será inquirido o perito contabilístico Vítor Marques, da PJ de Coimbra, que participou nas investigações do Face Oculta.
Em declarações exclusivas hoje à tarde ao Expresso, pouco antes do reinício do julgamento do Face Oculta, Paulo Penedos, no Tribunal de Aveiro, Paulo Penedos enquadra assim tudo aquilo aquando do seu primeiro interrogatório na sala de audiências.
"Além dos valores indicados na perícia da PJ não corresponderem à realidade, induzem a que se pense ter eu recebido vantagens patrimoniais indevidas do empresário Manuel Godinho, o que não é verdade", afirmou ao Expresso Paulo Penedos.
"Os meus rendimentos profissionais de dois anos são segundo a perícia da Polícia Judiciária, no total de 490 mil euros, quando o verdadeiro valor é de 320 mil euros, isto é, na realidade, menos 170 mil euros", afirmou Paulo Penedos, um dos mais mediáticos arguidos do processo Face Oculta.
"As minhas declarações fiscais correspondem ao cêntimo com aquilo que ganhei e atempadamente declarei às Finanças", disse ainda ao Expresso Paulo Penedos, acrescentando que "todos os fluxos financeiros podem ser comprovados em termos bancários".
"Qualquer gerente bancário poderá explicar", diz Paulo Penedos
"Eu penso que esses erros se terão ficado a dever talvez a contabilizarem por lapso rendimentos brutos com aquilo que são os rendimentos líquidos, isto é, depois de realizadas todas as deduções", disse Paulo Penedos, que ontem esteve reunido em Lisboa propositadamente para esse efeito com os seus advogados, Ricardo Sá Fernandes e Inês Montalvo.
"Qualquer gerente bancário poderá confirmar que são estes os procedimentos normais", destacou o arguido Paulo Penados, que está a ser julgado por um alegado crime de tráfico de influência.
"Todos esses rendimentos correspondem ao meu trabalho enquanto advogado para duas empresas de Manuel Godinho (a O2 e a SCI) e para duas empresas espanholas, a Procure Energia e a Gaz Natural", disse Paulo Penedos, explicando que "os meus rendimentos em Espanha foram movimentados em dois bancos espanhóis, o Banco Popular e a La Caixa".
"Nós juntamos desde logo ao processo todos os documentos contabilísticos, que poderiam e deveriam ter evitado estas discrepâncias de valores entre as minhas contas bancárias e as de Manuel Godinho, para quem eu trabalhava em 2008 e 2009", argumentou Paulo Penedos.
O então assessor jurídico da PJ reservou "mais explicações para o julgamento desta tarde".