24 de abril de 2014 às 8:49
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Paulo Bento: "Vamos mostrar de que massa somos feitos"

O selecionador nacional aborda o jogo decisivo de amanhã frente à Holanda e revela confiança nos seus jogadores. Clique para visitar o dossiê Euro-2012
Pedro Candeias, enviado ao Euro-2012 (www.expresso.pt)
Paulo Bento está confiante no jogo de amanhã frente à Holanda Reuters/Eddie Keogh Paulo Bento está confiante no jogo de amanhã frente à Holanda
À falta de melhor definição, Bento é um patriota. Fervoroso. E é numa espécie de apelo "às armas" que lança o jogo de amanhã frente à Holanda. As palavras-chave são: luta, organização e talento. E controlo emocional. O que se segue abaixo é a conferência de imprensa (integral) do selecionador. Para se ler nas entrelinhas  
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Há queixas sobre o trabalho defensivo de Cristiano Ronaldo. É por ordem sua que o Cristiano joga livre e não defende?
Mais do que particularizar, para cada jogo há uma estratégia e um plano de jogo em que cada jogador tem de executar um determinado número de funções. Há jogadores que estão naturalmente mais talhados para desempenhar funções defensivas; outros, ofensivas. O que temos de tentar fazer é arranjar equilíbrio. Uma estratégia que nos permita ser consistentes e que aproveite da melhor forma as características dos jogadores que temos lá na frente. E apesar de termos sofrido três golos, penso que temos tido uma boa organização defensiva. 

Está surpreendido com o fraco desempenho da Holanda? E acha que a Holanda pode bater Portugal por dois golos de diferença?
Num grupo como este, equilibrado, havia algo que acreditávamos que ia suceder: que tudo se resolveria na última jornada. É um facto que a Holanda ainda não ganhou um jogo; é verdade que não é contra nós que queremos que o faça. Temos um respeito enorme, porque eles têm muito talento; mas nós também temos muito talento. Queremos esgotar todas as possibilidades e chegar ao primeiro objectivo que traçámos: quartos-de-final. 

Teme a combinação de um resultado entre a Alemanha e a Dinamarca?Não. Sou desportista há muitos e muitos anos. Joguei 15 anos futebol, estou a treinar há quase 8. E se há coisa que acredito é nos desportistas. É isso que me faz andar aqui. Quando deixar de acreditar nisso, vou deixar de andar aqui. Chegar ao nosso objectivo depende da nossa organização, talento. E já mostrámos que, em momentos adversos, conseguimos dar a volta ao resultado. 

O Paulo Bento passou por algo semelhante no mundial-2002, o de depender do resultado de outro jogo...
Vamos falar do futuro e não do passado. Os jogadores têm de restar focalizados no que é preciso para esse jogo. Depois, se for preciso, para dar uma motivação, poderemos dar a informação aos jogadores sobre o resultado do Alemanha-Dinamarca. Se isso for melhor para eles, evidentemente. 

Como é que pode Portugal travar o ataque holandês?
Dificilmente se domina um jogo durante 90 minutos; e dificilmente se é dominado durante 90 minutos. Quem gerir melhor os momentos do jogo é que tem mais possibilidades de ganhar. Temo-lo feito com qualidade. 

A Holanda parte em vantagem por já ter feito dois jogos neste estádio?Não acredito. O campo terá as mesmas medidas, o relvado estará verde e com a cal do costume (risos).  

Pensa que Van Persie e Huntelaar vão jogar ambos de início?
Vamos ver. Acredito que a Holanda jogará querendo tomar a iniciativa do jogo. De início, não acredito que varie muito o seu sistema táctico. Poderá aparecer com alguma variação, poderá abdicar de um dos pivots defensivos para pôr o Van Der Vaart... Mas nós não abdicaremos dos nossos princípios.  

Sentia mais ansiedade quando era jogador ou treinador?
Da ansiedade que tive como jogador já não me lembro, já foi há tanto tempo. Mas há uma coisa que é igual: o sentimento de satisfação e orgulho de poder representar o meu país. Mas temos é de desfrutar disto. Estamos a falar de seis europeus. De 1996 para cá, não falhámos um. 

Ronaldo é talvez a única superestrela no torneio. Como é para si trabalhá-lo como treinador?
Retiro prazer por trabalhar com os 23 jogadores. São todos competentes, gostam de treinar e de competir. Ora, é verdade que o Ronaldo é uma figura a nível europeu e mundial. É muito profissional, muito ambicioso, que tem estado no topo durante anos e anos e isso dá-me prazer, claro. 

Com a Holanda a ter de atacar, se calhar haverá espaço para contra-atacar. É a oportunidade de Ronaldo brilhar?
Veremos a estratégia que eles adoptam. Normalmente, os holandeses gostam de manter a posse de bola, de pôr muita gente nas zonas de finalização. Mas isso não nos pode inibir e obrigar-nos constantemente a jogar em contra-ataque. O nosso objectivo não é defender o resultado com que vamos entrar.

Será frustrante não chegar aos quartos-de-final?
Vamos lutar até ao último minuto. Se não alcançarmos, será pelo mérito dos adversários ou por termos deixado de lutar ou de fazer aquilo que traçámos. Eles, os jogadores, sabem o que é que me deixa frustrado. E eles não o fizeram até agora e não me parece que amanhã o façam. Vão mostrar de que massa somos feitos. Se não conseguirmos, faremos as malas e regressaremos ao nosso país. 

Recuperou psicologicamente Postiga depois do jogo com a Alemanha? E sente necessidade de ter uma conversa particular com o Ronaldo?
Não tive uma conversa especial com o Hélder nem tive de o recuperar de nada. Ele estava consciente do que tinha feito contra a Alemanha. Perdemos de uma forma injusta e criticaram-nos por só termos atacado 15 minutos. Depois, num jogo em que um jogador, que é um dos melhores do mundo, falhou dois lances, a crítica agarrou-se a isso em vez de focar-se na vitória. Isso é típico do povo português. Mas às vezes, isso é típico de alguns agentes do futebol português.  

Quais as melhores equipas que viu até ao momento? E pensa fazer alguma alteração no onze?
A Alemanha é uma equipa muito forte e consistente. A Espanha já tem a identidade que tem. Era bom vermos qual era a base dessas selecções: a maior dos jogadores faz parte de um ou dois clubes. Isso cria a identidade. Isso não vai lá com um estalar de dedos. Agora, nós optámos por manter a equipa após o primeiro jogo e já decidiremos o que fazer no de amanhã. Acredito que jogaremos com qualidade. O que não significa que se fizermos alterações, os outros que entrarem não estejam preparados para jogar.
Comentários 1 Comentar
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Ai, ai,ai,ai e ai
Não havia necessidade de tal declaração. Poderia ter dito o que disse depois do jogo ou melhor, ter ficado calado, mas orgulhoso de ser portugues.
Estou a torcer e muito por Portugal e espero que entre água na "massa" dos holandeses.
Por outro lado estou preocupada com o cabelo do CR, pode chover como aconteceu ontem durante o jogo França-Ucrania. Espero que tenham providenciado um chapeu de chuva daqueles de colocar na cabeça para que o penteado do CR não seja prejudicado.

 
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