Paulo Bento e o caso "a minha pilinha é maior do que a tua"
Sempre achei Paulo Bento uma pessoa coerente, competente e ponderada. Gosto da sua forma de estar no futebol. Porém, no final do jogo com a Holanda, surpreendeu-me negativamente.
Os jogadores de Portugal decidiram boicotar a zona mista de entrevistas no final do jogo, optando por não falar mais do que o obrigatório. Aparentemente estavam de birra pelas críticas e provavelmente porque alguém roubou a escova do cabelo a um deles. Não interessa. É o habitual. Em relação a isto só me apetece dizer: joguem à bola e deixem-se de mer%&$. A seleção não é um clube e se muitos criticaram ( e têm todo o direito ) outros cá estiveram a apoiar. E todos (uns e outros) mereciam mais respeito. Antes do vosso ego está a seleção nacional.
Mas se o espetáculo de virgens ofendidas pode ser entendido pela imaturidade e alguma leviandade com que encaram o trabalho de quem procura apenas informar o público, já a forma de estar do selecionador nacional na conferência de imprensa me pareceu descabida. Um selecionar nacional não pode navegar a onda e servir-se de uma vitória para alimentar guerrinhas com meia dúzia de desgraçados e dúzia e meia de frustrados. Tem de ser superior, saber estar, conviver com opiniões negativas e ignorar os ataques cobardes. Transparecer zero para fora e aproveitar tudo para motivar a equipa e quem a apoia.
Critiquei os que andaram com Ronaldo no andor e depois achincalharam o rapaz quando as coisas correram mal. Foi excessivo, completamente descabido e era previsível que tivessem de engolir as palavras. Mas falei por mim. Já um selecionador nacional tem de falar por todos. É pago para treinar e não pode transformar uma conferência de imprensa num espetáculo "da minha pilinha é maior do que a tua". Cada um tem a sua pilinha e os portugueses não estão interessados em saber se a maior é a de Bento, de Queiroz ou de Manuel José. É pago para unir e não para dividir. É pago para motivar e não para acirrar os ânimos, sem qualquer necessidade. Paulo Bento deveria ter saboreado a vitória e, com inteligência, demostrar a "tranquilidade" que lhe assenta tão bem.
Não o fez. Esqueceu-se que é tão fácil falarem mal dele e de alguns jogadores depois de uma derrota como é para ele e para os jogadores relativamente fácil falar mal do mundo e arredores ( ou remeterem-se a um silêncio provocador ) depois de uma vitória. Se tivessem perdido o jogo tinham o mesmo discurso e atitude? Não me parece.
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