18 de maio de 2013 às 23:00
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Paulo Bento e o caso "a minha pilinha é maior do que a tua"

Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

Sempre achei Paulo Bento uma pessoa coerente, competente e ponderada.  Gosto da sua forma de estar no futebol. Porém, no final do jogo com a Holanda, surpreendeu-me negativamente.

Os jogadores de Portugal decidiram boicotar a zona mista de entrevistas no final do jogo, optando por não falar mais do que o obrigatório. Aparentemente estavam de birra pelas críticas e provavelmente porque alguém roubou a escova do cabelo a um deles. Não interessa. É o habitual. Em relação a isto só me apetece dizer: joguem à bola e deixem-se de mer%&$. A seleção não é um clube e se muitos criticaram ( e têm todo o direito ) outros cá estiveram a apoiar. E todos (uns e outros) mereciam mais respeito. Antes do vosso ego está a seleção nacional.

Mas se o espetáculo de virgens ofendidas pode ser entendido pela imaturidade e alguma leviandade com que encaram o trabalho de quem procura apenas informar o público, já a forma de estar do selecionador nacional na conferência de imprensa me pareceu descabida. Um selecionar nacional não pode navegar a onda e servir-se de uma vitória para alimentar guerrinhas com meia dúzia de desgraçados e dúzia e meia de frustrados. Tem de ser superior, saber estar, conviver com opiniões negativas e ignorar os ataques cobardes. Transparecer zero para fora e aproveitar tudo para motivar a equipa e quem a apoia.

Critiquei os que andaram com Ronaldo no andor e depois achincalharam o rapaz quando as coisas correram mal. Foi excessivo, completamente descabido e era previsível que tivessem de engolir as palavras. Mas falei por mim. Já um selecionador nacional tem de falar por todos. É pago para treinar e não pode transformar uma conferência de imprensa num espetáculo "da minha pilinha é maior do que a tua". Cada um tem a sua pilinha e os portugueses não estão interessados em saber se a maior é a de Bento, de Queiroz ou de Manuel José. É pago para unir e não para dividir. É pago para motivar e não para acirrar os ânimos, sem qualquer necessidade. Paulo Bento deveria ter saboreado a vitória e, com inteligência, demostrar a "tranquilidade" que lhe assenta tão bem.

Não o fez. Esqueceu-se que é tão fácil falarem mal dele e de alguns jogadores depois de uma derrota como é para ele e para os jogadores relativamente fácil falar mal do mundo e arredores ( ou remeterem-se a um silêncio provocador ) depois de uma vitória. Se tivessem perdido o jogo tinham o mesmo discurso e atitude? Não me parece.

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Comentários 9 Comentar
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Quem não se sente ...
Concordo no essencial com o que escreve o MI colunista, mas devo dizer, em abono da verdade, que "Quem não se sente, não é filho de boa gente." e Paulo Bento tem aguentado estoicamente algumas investidas que seriam respondidas à letra e de pilinha de fora se ele da mesma massa daqueles que contra ele arremeteram. Primeiro foi o ataque soez de um selecionador por seis horas, a este juntou-se o coro do Queirós ressabiado e como se não bastasse como contra-baixo surge o Calisto do Vietname. A estes junta-se, seja qual for o local de trabalho de P. Bento, o teórico, mais teórico do futebol o Sr. Santos da SIC Notícias, que lhe move uma marcação à italiana, vá lá saber-se proquê. POr tudo isto acho que a paciência tem limites e justificam de todo o eventual excesso do selecionador nacional.
Re: Quem não se sente ... Ver comentário
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Não disse mentira nenhuma
O selecionador também tem direito à indignação.
Tem toda a razão!
Essa é a diferença entre um homem e um Homem.
Paulo Bento demonstrou que é apenas um homem...
coitadinho deste
então eles não podem responder tem de comer e calar é a democracia deste srº
Comer e calar???
Eem democracia também se impõe respeito e educação pelos outros...os cidadãos e o país que representam!!Não é o vale tudo...
É aumentar o volume, a ver se alguém liga
Ó Mesquita, há tanta gente com opiniões...
Mais uma?
Não há espaço.
Acrecenta alguma perspectiva nova?
Não.
Mais um ressabiamento pela reacção de outrem.
Os outros teima em agir de forma diferente à que nós gostaríamos que toda a gente tivesse, e o que isso nos custa, o bom que seria controlar a liberdade dos outros.
Bem sei que este é assunto da mais urgente atenção, é dos mais flagrantes casos de lesa majestade, é necessário gritar nas orelhas do Paulo Bento.
Ou será que não?
Ou será tudo isto um disparate?
Fica a pergunta, com muita estima.
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