O próximo iPhone poderá verificar o batimento cardíaco ou identificar o seu dono através de uma análise feita por reconhecimento vocal e facial. Pode mesmo tomar medidas anti-roubo se for parar às mãos erradas. É o que consta na patente que a Apple registou em fevereiro e foi divulgada na semana passada.
A patente, denominada "Métodos e sistemas para a identificação de utilizadores não autorizados de engenhos eletrónicos", revela também algumas das medidas a aplicar caso se verifique que o produto foi roubado. Incluem a restrição a algumas das aplicações ou a recolha de dados do utilizador indevido, através da câmara do iPhone, sendo depois essa imagem enviada, com a localização atual, para um servidor que transmitiria os dados e desligaria o produto roubado.
Um iPhone roubado pode ser detetado através de um súbito aumento do uso de memória, se se verificar que este está "desbloqueado" (quando se elimina uma restrição para o uso de outra rede ou noutro país), ou pelo uso de aplicações pirateadas, o que põe em causa os motivos destas medidas de segurança: a proteção do cliente ou o controlo que o cliente dá ao iPhone.
Segurança ou espionagem "à 1984"?
Alguns especialistas na área da tecnologia consideram que com isto a Apple quer espiar os seus clientes e punir aqueles que usem aplicações não aprovadas pela empresa, utilizando já a referência da obra "1984" (de George Orwell, em que aborda a perda da privacidade)
Lauren Indvik, do site de tecnologia Mashable
, refere que "o sistema descrito permite à Apple eliminar os engenhos pirateados com o pretexto da proteção contra roubo, quando pode não ser possível determinar se um iPhone foi roubado, ou se o dono escolheu ser o próprio a modificar o iPhone".
"Ignorar a possiblidade de, sob um falso alarme de roubo, activar a câmara quando o seu dono está num momento íntimo e privado, esta tecnologia é também orwelliana por outro motivo: permite que Steve Jobbs (fundador da Apple) e companhia retaliem quando não têm controlo sobre o uso dos iPhones. Mas não se preocupem, é para o vosso bem", escreve Dan Godison no website The Register
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