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Passos: lixa-te para as eleições, mas não lixes os portugueses!

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1. A tirada de Passos Coelho, proferida na segunda-feira aos deputados do PSD, causou uma reacção, porventura, excessiva. Recorde-se que Passos Coelho afirmou que se está a lixar para as eleições, pois a situação de Portugal é muito mais relevante. Se o PSD perder as eleições, mas Portugal consolidar as suas finanças públicas, Passos Coelho ficará feliz. Será que estas declarações representam uma "ruptura civilizacional", a primeira frase patriótica de um Primeiro-Ministro desde o 25 de Abril, como referiram alguns comentadores da direita? Ou foram, como defendeu Daniel Oliveira aqui no EXPRESSO, uma hipocrisia política e uma desconsideração para com a democracia? Vamos por partes.

 As verdadeiras palavras de Passos Coelho

2. Em primeiro lugar, Passos Coelho está visivelmente cansado. Não é pelos quilos que visivelmente perdeu, como foi noticiado por um tablóide português, mas pela forma como Passos Coelho discursa: mais lento, mais pausadamente, mais receoso quanto às suas palavras. Há um desgaste físico (e anímico!) do Primeiro-Ministro visível, reflectindo-se, assim, na pessoa de Passos Coelho, as fraquezas e os casos mal esclarecidos do seu Governo, nomeadamente, as "trafulhices" e casos muito mal esclarecidos de Miguel Relvas. Além disso, chamamos a atenção para um pormenor interessante e bastante ilustrativo de um certo desespero de Passos Coelho: o nosso PM é muito racional, cerebral, equilibrado, nada emotivo. Nos discursos desta semana, foi o contrário: Passos Coelho, pela primeira vez, falou mais com o coração do que com a razão. Para já, pelo vocabulário utilizado: Passos Coelho costuma ser muito cuidadoso com o seu discurso e as palavras utilizadas; desta vez, Passos Coelho optou pelo verbo popular "lixar". O que confirma que Passos Coelho optou por um discurso mais emocional do que racional. Aquela frase - "estou a lixar-me para as eleições" - mostra que Passos está irado, farto de algumas atitudes do seu partido e de membros do seu Governo, que teima em não remodelar.

3. Por outro lado, ainda quanto à forma, Passos pretende dar a ideia de que não há uma distinção entre "nós"(o povo) e "eles" (os governantes): ao dizer que se "está a lixar para as eleições", Passos Coelho quer dar a ideia de que também é um homem do povo, que se irrita, que fala sem discursos metodicamente preparados - é um de nós.

4. Posto isto, lamento desiludir a imensa multidão que se apaixonou pelas declarações de Passos Coelho, mas há que afirmar, sem rodeios, a verdade: é que esta declaração tem um inequívoco significado político. Qual é ele? Fácil: desresponsabilizar-se ou atenuar a responsabilidade política de Passos Coelho, em caso de derrota do PSD, nas autárquicas ou nas europeias. Mais: a mensagem de Passos Coelho, para além dos deputados do PSD, teve, ainda, outro destinatário - o Partido Socialista. Efectivamente, Passos Coelho pretendeu já evitar qualquer leitura nacional das autárquicas ou das europeias - a legitimidade do Governo não ficará afectada por eventuais derrotas eleitorais.

5. Ademais, Passos Coelho conseguiu, ainda, alcançar um outro efeito que pretendia: desviar a atenção mediática das eleições que se aproximam. A um ano de distância, Passos Coelho quer adiar o mais possível (até para evitar divergências internas, num momento em que exige um partido unido no apoio ao Governo) a discussão sobre candidatos e evitar que se crie (e intensifique!) a ideia de que os próximos actos eleitorais serão testes ao seu Governo.

5.1. Ora, estes foram os únicos efeitos políticos relevantes das declarações de Passos Coelho: o resto foi puro exagero e imaginação criativa de alguns comentadores. Portugal mudou porque Passos Coelho pediu aos seus companheiros para se lixarem para as eleições? Esta é uma frase que todos subscrevemos, mas sem conteúdo político útil. José Sócrates dizia o mesmo; Durão Barroso (o nosso Zé Manuel da Europa) afirmava o mesmo; Guterres e Cavaco bradavam aos céus que só Portugal interessava. Resultado: Portugal esteve à beira da bancarrota, tendo de pedir o auxílio financeiro do FMI e das instâncias europeias.

5.2. De facto, Passos Coelho já deveria saber que o patriotismo e o sentido de Estado não decorrem só de palavras, nem de discursos: decorrem de actos concretos, de medidas justas e equitativas entre os portugueses. Até agora, o Governo Passos Coelho tem sido a negação de um executivo preocupado com as dificuldades dos portugueses. Bem pode Passos Coelho dizer que se está a lixar para as eleições - no minuto a seguir, Marco António Costa já lhe está a ligar para o relembrar que lhe prometera a Presidência da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

6.A verdade é que Passos Coelho, querendo lixar-se para as eleições, tem lixado, como nunca, os portugueses - sobretudo, os mais jovens. Voltaremos a esta temática amanhã.

Email:politicoesfera@gmail.com


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Comentários 15 Comentar
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Sócrates é que lixou os Portugueses,ó Lemos!
Nãp há maneira de aprender,este Lemos.Parece bom rapaz,mas a ser teimoso como é ainda sai na próxima curva!
Re: Sócrates é que lixou os Portugueses,ó Lemos!
Re: Sócrates é que lixou os Portugueses,ó Lemos!
Nada de novo
Parece-me que descobri a maneira de trabalhar de Lemos.

Lê o que pode sobre um assunto, tenta fazer uma salada russa com os ingredientes que vai coleccionando e está a crónica feita. Acrescenta uns adjectivos, destila um pouco de veneno, para apimentar o assunto, mas, bem espremido, o limão está seco.

Acaba-se de ler o texto e não se sabe o que pretende o autor, excepto dizer mal do Passos e do Relva. Para isso, tem que se pôr na bicha.

Este episódio do "que se lixe", sempre me pareceu uma boa saída de Passos, que recomendou aos deputados o cumprimento da sua tarefa, abstraindo-se de consequências, eventualmente negativas, de próximas eleições. O que ele disse é que as acções do governo e do grupo parlamentar, não podem estar condicionadas pelo agrado ou desagrado futuros, tem que se fazer o que se acho correcto, sem desvios.
Qualquer outra interpretação é forçada, é demagógica e só pode colher entre gente pouco atenta.

Isto nada tem a ver com apoio ou não ao governo, isto é a constatação de um facto. Andar às voltas com o palavreado não passa de uma tentativa de engano.

O PSD e Passos podem ser estúpidos, mas não tanto. Sabem perfeitamente o risco que tomaram ao formar governo, sem forçar o a inclusão do PS, como teria sido mais inteligente.
Pegar no governo, com os cofres vazios, uma comissão administrativa do empréstimo no poder. é garantia de maus resultados eleitorais , no futuro próximo.
Só um nescio não o sabe........
Re: Nada de novo
Re: Nada de novo
JLE
Diga-me qual o PM que este em funções que não afundasse mais o país?
Nenhum conseguiu equilibrar a balança da economia do país, mas a sua conta bancária essa nunca esteve melhor.
Não vale a pena acusar A ou B pois os métodos podem ser diferentes mas o fim é sempre o mesmo, o povo a pagar a sua bela vida luxuosa.
Esta democracia foi criada para interesses particulares e partidários e o sentido de estado esquecido.
'lixa-te para as eleições, mas não lixes os outros
Uma boa crónica, uma boa análise, penso. Lembra o que já devia ser óbvio há muito tempo: o "político que se lixa para as eleições" é uma tática eleitoral que tem dado frutos em Portugal logo, como é que pode ser considerado uma prova da exceção de Passos se todos o fizeram?

Nos últimos tempos, tenho criticado com alguma dureza estas expressões: eu respeitaria Passos Coelho muito mais se ele, que é todo sermões, tivesse feito pedagogia e defendesse as eleições como exames que são e com que se importa... em vez de se declarar como se lixando para eles. Isto é tanto mais irónico quando o executivo está a reabilitar o paradigma dos exames na escola pública: servem para esta, não servem para a governação? Tudo o que tinha que dizer era, "Nós preocupamos-nos com as eleições, mas é procedendo como estamos a proceder que as vamos ganhar".

Era tudo o que tinha que dizer!

Logo, porque não o disse? Para além do seu argumento convincente de desmarcação em relação às autárquicas, acho que aqui, Paulo Gaião antecipou-se: "que se lixem os autarcas Laranjas". O discurso de PPC que li, foi duro para com estes e uma reação aos mesmos. Mas mesmo aqui, ele podia ser mais positivo.

Só me resta a primeira coisa que disse: PPC está cansado, e emotivo por isso. Isso é bom. A minha (má) impressão do tipo de discurso de Passos, é que ele é excessivamente ensaiado. Se me diz que aqui ele não o foi... qualquer brecha no calculismo implícito dos ensaios, é bem vindo.
adormeci no 1.º parágrafo
As estórias são as mesmas, mudam os personagens...
Pena que o PM não tenha pensado em substituir o Relvas cá pelo nosso ilustre comentador, já que ele é, efetivamente, muito fluente em inventar cenários...depois como é novo e cheio de genica, dava, p certo, um "grande" ministro adjunto....
PS.: ah, e a culpa é do Relvas!
a nossa "lixadela"
A nossa "lixadela" e o nosso azar é ter de ler estes disparates escritos por estrangeiros, injustamente com identificação portuguesa!
Temos vichyssoise ao jantar!
Depois da ementa do jantar que até meteu vichyssoise, tão ao gosto de alguém ali tão próximo, o repasto terminou com um café e um bagaço para aquecer.À saída, lá estava a inevitável com. social. Em conversa com o PM, alguém perguntou-lhe: Então sr.dr. o senhior nunca teve divergências com o seu "doer", que dizem ser o seu delfim, face ao que se diz por aí, à boca cheia acerca do diploma? Não, nunca tive respondeu. Mas...então porquê? Bem, sabe, ele segue o seu caminho e eu sigo o dele, vai tudo bem.E, como nós nos estamos lixando para com os eleitores e que o alarido possa alterar a decisão dos eleitores, pois como sabe a memória do povo é curta, e portanto eu e o meu "doer" seguimos na mesma direcção. Mas...... sabe qual é a expressão k os ingleses usam para defenirem o que é para eles um "doer" ? Não, mas diga-me lá, que eu quero saber. Eles dizem: To be a great talker, but a litlle doer , que traduzindo quer dizer: "Ter muita parra e pouca uva "... ( prometer muito e não fazer nada ) Bem estou-me lixando para isso.... E assim ficou a conversa a meio porque entretanto, houve outra interferências.. k se intrometeram na conversa que estava tendo lugar......Aguardam-se novos episódios.....
Venenosos
Lemos, deixa os venenosos destilar. Continua porque es um dos necessarios antidutos que vao seguramente acabar com estes quem nos quer impor o sofrimento!
PPC fala demais!
Passos Coelho fala demais, aparece na TV demasiadas vezes, passeia demais. Não há dia que não vá fazer uma visita, uma inauguração de qualquer coisa, e não bote discurso o faça declarações. Cale-se homem, trabalhe, governe, tome decisões que não sejam mais troikistas que a troika, trabalhe para o desenvolvimento económico de Portugal e não para o seu afundamento.
Muito vago
Caro João Esteves, apesar de alguma razão no que escreve, julgo ser também verdade o que alguns comentadores refletem, que é o pouco conteúdo transcrito.
Contudo, como o referiu e bem, este comentário teve uma intenção politica, na sua forma e no que quis passar, infelizmente ou felizmente, desmontou o real teatro até hoje encenado.
No que se refere ao falar com o coração, já não posso concordar, sendo que por de trás de um primeiro-ministro está um abrangente sociedade de “estudiosos” que lhe impõem comunicados e preparam tudo com bastante cuidado e rigor, que nem sempre é o que queremos ouvir, ou o que devemos ouvir.
A realidade é que foi bastante infeliz no que proclamou, de todo.
Assim sendo resta-lhe, como em tudo na vida, reconhecer o erro e adiar o derrube.
O que lhe falta é Jejum Mental!
A liderança é um facto natural... ocorre inevitavelmente por toda parte... Qualquer bando de pássaros tem um líder. Macacos, formigas, abelhas, todos os animais sociais tem seus líderes...

Governar significa liderar ... dar um rumo...

O líder que se torna invisível mostra deste modo sua fraqueza e imaturidade... Falta manter sempre clara a meta comum e estimular em função do objetivo de todos... Mas quando a liderança pretende controlar e manipular a vida dos outros tropeçará cedo ou tarde na sua própria frustração...Para alguns, a manipulação e a busca do poder ou da fama funcionam como mecanismo de fuga do factores centrais ...de que não conhecem ou não aceitam a si mesmos...
Os jogos e manipulações que giram em torno da vaidade... basta de malabarismos verbais ... porque ou entra mosca ou sai asneira!

Eis o meu retrato o PM devia por a consciência a trabalhar !
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