Surpresa, surpresa era Pedro Passos Coelho ter perdido esta eleição interna do PSD. Ganhou-a e ganhou-a com clareza.
Nos últimos dois anos o antigo líder da JSD fez o trabalho de casa praticamente sem erros: estudou os dossiers, escreveu um livro, preparou a sua candidatura ao milímetro, fez a rota da carne assada, fidelizou distritais e apoios.
É, por isso, com normalidade que se torna a partir de hoje o líder do mais balcanizado partido político português.
E tem, como se adivinha, tarefa espinhosa pela frente. Internamente, tem de estabilizar um partido dividido entre trincheiras, facções e 'ismos' diversos.
Mas o grande desafio, verdadeiramente, é para fora, para o País. Passos conta daqui para a frente com o desgaste de José Sócrates, mas também ele vai começar a ser vergastado a partir de hoje. Que ninguém pense o contrário.
O país suspira por um líder diferente: seriedade à prova de bala, acabar com amiguismos, compadrios e uma noção clientelar do Estado. E, sobretudo, que tenha uma visão coerente e de futuro para o país.
Passos hoje ainda está londe de ser este líder. E os primeiros sinais não são propriamente animadores. Era liberal mas corrigiu o discurso, parecia moderado mas agora quer atirar o país para eleições.
Mas com a vitória clara desta noite, Passos tem uma oportunidade única. Tem o partido a olhar para ele, mas tem sobretudo o país de olhos postos nele. Está na hora do menino bonito da jota crescer. Estará à altura da tarefa?