Passos Coelho é até agora o único candidato assumido à liderança dos sociais-democratas
Lusa/António Cotrim
Pedro Passos Coelho garantiu hoje não ter medo da realização de um congresso extraordinário do PSD, mas sublinhou que o partido não deve esperar muito mais tempo para resolver os problemas internos porque as coisas "não estão bem".
"Acho que a polémica que se instalou é um sinal claro, é um sintoma que as coisas não estão bem no PSD e que talvez não devêssemos esperar muito mais tempo para puder resolver os problemas que temos dentro de casa, aprovar uma estratégia nova, uma equipa nova", afirmou Pedro Passos Coelho, até agora o único candidato assumido á liderança dos sociais-democratas.
Garantindo que não teme a realização de um congresso extraordinário, Pedro Passos Coelho assegurou que caso este se venha a realizar participará "intensamente"
Passos Coelho recusa juízos de intenção
Questionado se vê como "uma acção concertada contra si" o pedido de um congresso extraordinário, defendido por alguns militantes, entre os quais o antigo líder do partido Pedro Santana Lopes, que já chegou mesmo a reunir as assinaturas necessárias para a sua realização, Passos Coelho recusou fazer "juízos de intenção".
"Não faço juízos de intenção e não me move, de resto, politicamente nada contra nenhum companheiro meu dentro do PSD. E julgo que o PSD está cansado de guerras pessoais", salientou, dizendo esperar apenas que os militantes possam debater e tomar as suas opções.
"O PSD precisa sobretudo de debater em torno de estratégias que possam ser aprovadas, que possam guiar o partido daqui para a frente em torno de uma liderança nova", acrescentou Pedro Passos Coelho, que falava aos jornalistas à entrada para a apresentação do seu novo livro "Mudar".
Durante a apresentação do livro, Pedro Passos Coelho, que tinha entre a assistência nomes como José Pedro Aguiar Branco, líder da bancada parlamentar do PSD, e Marco António Costa, líder da distrital do Porto, avançou com algumas das suas ideias políticas, alertando para a ausência no Orçamento de Estado dos grande investimentos defendidas pelo Governo.
Críticas ao Orçamento do Estado
"Não estão lá, mas ninguém tem dúvidas de que os Orçamentos vindouros vão reflectir as opções que se estão a tomar", sublinhou, considerando que se tem de "pôr fim a essa mentira" e discutir com transparência.
"Como é possível negociar um Orçamento de Estado para 2010, trocando os próximos 30 anos por uma aparente estabilidade política no ano de 2010? Não é possível, eu acho que não é possível", frisou.
"Livro não é moção de estratégia à liderança"
Recusando a ideia que o seu novo livro é uma moção de estratégia à liderança o PSD, Passos Coelho voltou a assumir algumas das suas ideias políticas, como a necessidade de defender a iniciativa privada.
"As pessoas vêem o Estado como solução para tudo", criticou, depois de no início da sua intervenção ter começado por considerar "inevitável" uma mudança.
"O Estado não é uma empresa", sublinhou, considerando que tem faltado ao nível político quem defenda a iniciativa privada.
"Parece que somos todos socialistas", ironizou.