25 de maio de 2013 às 2:12
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Para a frente e para trás, depressa

Os novos suportes, de que o novo tablet da Apple é apenas um novo exemplo, são uma segunda oportunidade para a imprensa. Que se adaptem depressa ao negócio e à tecnologia. E que regressem ao rigor e à investigação.
Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

A Apple lançou ontem o seu tablet. Não sendo uma novidade, a sua ligação à maior loja virtual de conteúdos até hoje criada, o iTunes, pode significar um primeiro passo para uma mudança radical nos suportes de media - livros, filmes, jornais, sites. Por ser mais portátil do que os portáteis e mais fácil de usar e ter mais funções do que os telemóveis. Mas, acima de tudo, por se aproximar do formato a que sempre nos habituámos quando lemos.

Não, não venho aqui para fazer publicidade. Steve Jobs tem talento de sobra para o fazer sozinho. O que me interessa aqui é outra coisa: o futuro. Não sendo a panaceia dos media, estes novos suportes são a sua maior oportunidade desde há muito tempo, como já percebeu o "The New York Times", que já está em campo. Massacrados pelos novos media, os jornais e as televisões tiveram dificuldade em adaptar-se e vivem a maior crise da sua história. Adaptar-se ao meio, antes de mais. E adaptar-se ao negócio, depois disso. Se aproveitarem o momento em que o suporte se aproxima da sua natureza, os jornais (mas também as editoras) poderão recuperar o tempo perdido.

Não podemos viver sem imprensa. Os sites e blogues feitos por amadores (e sei do que falo, porque a eles tenho dedicado muito do meu tempo) acrescentaram pluralismo, vigilância cidadã e democracia aos media e à política. Mas eles nunca terão os meios, o dinheiro e a organização que o jornalismo de investigação exige. Nem as regras deontológicas a que o jornalismo deveria obrigar.

Duas prioridades, então. Antes de mais, fazer desta vez uma adaptação mais rápida aos tempos que aí vêm. Não começar, como no passado, pela arrogância e o autismo. Depois, voltar atrás em algumas coisas. Perceber que se a imprensa tradicional servir apenas para umas bocas e uns fait divers a imprensa está condenada. A blogosfera faz o mesmo de forma mais livre. Se não se ponderar o que se escreve para garantir a rapidez, na rede as coisas já se espalham sem crivo e ainda mais depressa. Voltar à reportagem e à investigação. Voltar à mediação. Voltar às regras deontológicas e à credibilidade. Dar aquilo que os outros não podem.

Se andarem mais depressa para a frente na adaptação aos novos meios e rapidamente para trás no rigor, talvez ainda se salve uma dos elementos centrais das nossas democracias. Porque em papel ou no iPad!, o jornalismo faz ainda mais falta do que antes.

Comentários 10 Comentar
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Para a frente e para trás, depressa
Então e não é que acaba de chamar os bois pelo nome. Só espero que os mesmos entendam que o chamamento é para eles virem ao Mundo real e não só para virar a cabeça. As novas tecnologias não acabam com as anteriores e por isso ainda hoje temos rádio, que não acabou pelo facto de ter aparecido a televisão. Assim como a lareira continua depois de fogão e do micro-ondas. Todas têm o seu espaço, no entanto vence quem tiver a inteligência de se adaptar ao que é a evolução natural que ninguém consegue travar. Não duvido que a Imprensa escrita tem feito algumas tentativas para inverter a situação, mas oferecer um CD parece não ser o suficiente. Está mais ou menos na mesma linha do PSD, que nem ele acreditava que ía ganhar as eleições, ao arranjar uma Líder sem parra e sem uva nem fisica nem intelectual. É claro que o jornal tal como o conhecemos hoje, vai servir a uns tantos velhos que já não vão mudar, mas que serão cada vez menos. O futuro está nos jovens com apetência para as novas tecnologias e que por este meio são bem capaz de se vir a interessar pelas noticias, desde que as mesmas tenham credibilidade, o que não é o caso hoje em dia. Dando como exemplo novamente o PSD de cabeça perdida, na ância de resultados inventam asfixia democratica, coisas a quem ninguém dá importância. Batem na mesma tecla durante semanas e meses para no final tudo acabar em águas de bacalhau. Faz lembrar a historia do rapaz e do lobo.
O negócio,a Imprensa e o Zigue- Zague
Os zigue-zagues são perigosos e os média não podem ser hipermercados servidos por vendedores á procura de audiência.É preciso saber cultivar para escrever a informação,abrir novos horizontes e estar á altura da globalização do conhecimento.É snob falar da Imprensa Estrangeira-seja americana ou inglesa-só para se estar na onda da crista.O grande Jornalismo também se faz aqui quando se defendem os valores do desenvolvimento e se participa na construção da urbanidade.De nada vale a mensagem chegar depressa,porque a tecnologia assim o permite-se não levar consigo a esperança de que a Imprensa está na sua trinheira ,pronta a enfrentar tempos adversos e a não vender gato por lebre.
Daniel de Oliveira e a superioridade moral
Espero que todos os jornalistas aceitem estes conselhos de Daniel Oliveira, que se elevou à categoria de "guru" da Classe. E não só, porque o tema focado é o primórdio para os empresários da imprensa escrita.

E nada de arrogância e autismo (penso que várias associações de apoio às pessoas que sofrem de autismo, já reclamaram do uso "abusivo" deste termo), o que é algo de contraditório, pois é impossível alguém ser arrogante: altivo; insolente;sobranceiro; fanfarrão e ao mesmo tempo "autista".

Mas espero que Daniel Oliveira, comece a fazer "investigação" dos temas que trata, para que os mesmos passem a ser relatados como na realidade são e não como "acha" que deveriam ser.

Como nota final, estou preocupado porque está a "promover" um produto originário do grande "Satã"e só espero que na "Al Jazeera" não saibam...
APPLE
CARO DANIEL, RIGOR E INVESTIGAÇÃO, ACHO MUITO BEM!!! PORÉM, FORAM TODOS OS AVANÇOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS OS MAIORES RESPONSÁVEIS PELA FALTA DE RIGOR E DE INVESTIGAÇÃO!!! A GRANDE MAIORIA DOS PATRÕES DA IMPRENSA NÃO PAGA ESSE JORNALISMO "Á ANTIGA". VAI DAÍ, AS REDACÇÕES DOS JORNAIS E REVISTAS (COM HONROSAS EXCEPÇÕES) PASSAM DIAS A FIO A FAZER COPIAR/COLAR DAS, SUPOSTAMENTE, NOTICIAS INTERESSANTES QUE VÃO SACANDO DA NET!!!
REPARE, TODAS AS GRANDES DESCOBERTAS "A BEM DA HUMANIDADE" SEMPRE DERRAPARAM E TRANSFORMARAM-SE EM "MAIS UM DESASTRE" PARA A HUMANIDADE.
ENFIM............ PODE APROVEITAR PARA REFLECTIR UM POUCO SOBRE ESTAS MATÉRIAS.
EM TODO O CASO ACHO MEDÍOCRE E LAMENTÁVEL ESTE SEU DERRAME DE CARACTERES PORQUE VOCÊ JÁ DEVIA SABER DISTO TUDO. UM CERTO "ESTRELATO" ESTRAGA MUITA GENTE!!! OU LEVA-OS A PENSAR QUE SÃO SERES SUPERIORES DETENTORES DO CONHECIMENTO SUPREMO, E DEPOIS BORRAM A ESCRITA TODA E ENCHEM A VIDA DE MUITOS DE TÉDIO PESTILENTO!!!
FAÇA ESTE EXERCÍCIO:
INVESTIGUE QUANTOS SITES FRAUDULENTOS EXISTEM PARA EXTORQUIR DINHEIRO ÀS PESSOAS!!!
E, CLARO, COBRE-SE BEM POR ESSA INVESTIGAÇÃO E FAÇA RETENÇÃO DO IRS NA FONTE (É UM DESCANSO PARA O 2º BAIRRO).
VÁ LÁ DANIEL, EVOLUA!!!
Rigor
Daniel, que é todo virado para progressos e mudanças, faz um curioso apelo para que regressemos ao rigor da antigamente ou das mentes antigas.
Mas qual rigor? Que credibilidade? Que mediação?
O rigor das “boas novas” que o Senado Romano mandava apregoar no mercado?
A credibilidade da “verdade”imposta pela Inquisição?
A mediação da “realidade” oferecida ao povo pelo Pravda?

Acompanhar os tempos regressando ao passado
Concordo plenamente com a ideologia exposta na coluna. Se apostarem na qualidade, credibilidade e rigor, os media não sentiram as dificuldades que os têm atormentado. Não existindo em grande numero, os bons jornalistas são porem suficientes para produzir publicações deste calibre. Na minha opinião é isto que verdadeiramente tem faltado e não mais do mesmo, para assuntos da blogoesfera compra-se revistas cor-de-rosa.
Eu gosto das novidades.

Dr. Daniele,

trago ai uma frase do seu artigo muito acertada para mim: "O que me interessa aqui é outra coisa: o futuro". Alguns estão presos ao passado e não querem de forma alguma despregar-se dele; outros olham para o futuro porque são substancialmente dos inovadores.
Isto vale seja no campo moral seja num pensamento versátil e flexível.
Por ex. eu amo a tecnologia de maneira "descarada" - Computadores, telemóveis, numa palavra, todas as inovações façam-me bem. Gosto também de móveis modernos e nunca viveria numa casa com móveis antigos. Mesmo o jornalismo sofreu mudanças imagináveis nos últimos anos: uma real revolução coperniciana. Os meios de comunicarem as notícias trocaram completamente e se pode dizer que o jornal em papel foi quase arquivado. Todavia, caso eu encontre algo interessante na internet, não consigo lê-lo no ecrã do PC e sou forçado a imprimir o que vejo e depois proceder com a leitura. (o mesmo faço com os artigos do Expresso).
Porém uma coisa deve manter a sua constante: a deontologia do jornalista.

António
O futuro mais que perfeito
Eu que tenho um Kindle e tenho feito down loads que me farto (não de jornais portugueses, que a Amazon não os distrubui) já estou com saudades das livrarias do passado e do presente.
Atravessava hoje o Parque Eduardo VII sob um belo sol de inverno, e pensei nisso: o que é que vai acontecer àquelas livrarias maravilhosas onde passei anos da minha vida?
Livros vão-se vender cada vez mais, mas em formato digital. Adeus Hatchards! e até, adeus, FNAC! Adeus Bertrand, Lello, etc. e tal...
É daquelas coisas que não se está a favor nem contra, agradece-se que existam e segue-se em frente. Oh saudades.
Daniel estas preocupado com a Cultura em Portugal
Onde andas espírito aventureiro, original, glorioso?

Estas num país onde os ministros desprezam a cultura; as pessoas votam num primeiro ministro corrupto apenas porque " o meu pai sempre votou PS...(não sou vira casacas)"; só querem ouvir musica estragada ; o canal televisivo com maior audiência é o que passa 6 ou 7 horas de novelas ; onde o povo diz que quem tem cultura e procura o conhecimento é arrogante ou tótó; um país onde os do rendimento mínimo passam a vida no café a ler revista Maria.

Ler? 15€ por um livro ? "por esse preço compro umas meias da nike ".

Tenho 18 anos, e já desisti deste país.
Re: Daniel estas preocupado com a Cultura em Portu Ver comentário
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