O primeiro-ministro grego criticou hoje os protestos violentos que se registaram em Atenas contra o plano de austeridade do governo de coligação, durante o debate parlamentar que antecedeu a votação do segundo memorando da troika.
"A violência e a destruição não têm lugar em democracia", disse Lucas Papademos, depois das manifestações que hoje abalaram a capital grega, contra o plano económico que o parlamento aprovou.
O primeiro-ministro acrescentou que a Grécia "não se pode dar ao luxo" de se manifestar "em momentos cruciais".
"Os deputados vão assumir a responsabilidades e definir a escolha mais importante para a Grécia: avançar com a Europa e a moeda única", disse Papademos, momentos antes da votação, crucial para que a Grécia não caia na bancarrota, que arriscaria a contagiar a zona euro e mesmo a destruição da moeda única.
O país necessita de financiamento até 20 de março, quando tem de reembolsar 14,5 mil milhões de euros aos credores de dívida pública.
De crise da dívida a crise nacional
" A crise, que começou como uma crise de dívida, transformou-se numa crise económica e social e, ultimamente, numa crise nacional", reconheceu Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Enquanto Papademos discursava, várias colunas de fogo subiam aos céus, após os protestos violentos na capital grega, onde
ficaram feridas várias dezenas de pessoas - polícias e manifestantes - e pelo menos dez edifícios foram incendiados.
Os cocktails molotov cruzaram também hoje a noite de Atenas, com as agências noticiosas internacionais a referirem que pelo menos 100 mil pessoas se manifestaram em frente ao parlamento.
"Peço ao público que se acalme (...) acho que toda a gente sabe como a situação é séria", disse o primeiro-ministro, no parlamento.