Os funcionários da autarquia lisboeta terão tolerância de ponto no dia da visita do Papa Bento XVI à capital e o presidente da Câmara alertou que as restrições de trânsito não serão compatíveis com "o normal funcionamento da cidade".
A Câmara de Lisboa vai acompanhar a decisão do Governo de atribuir tolerância de ponto durante a visita do papa a Portugal, de 11 a 14 de maio, mas o autarca da capital, António Costa (PS), considera que "vai haver ao nível de toda a cidade" essa tolerância.
"Tem de existir, porque o dia 11 vai implicar muitas restrições, por razões de segurança, à circulação na cidade de Lisboa. Se não forem tomadas medidas, torna-se muito complicado compatibilizar os cortes de trânsito com o normal funcionamento da cidade", afirmou à Lusa.
Tolerância não é para todos
Fora desta tolerância ficarão os funcionários municipais das áreas de Proteção Civil, bombeiros, Polícia Municipal, serviços de tráfego e de limpeza e higiene urbanas, que estarão "mobilizados a 100%" para a visita de Bento XVI.
Segundo António Costa, não há "uma contabilidade total" acerca dos custos da visita para a autarquia, que está a fornecer "toda a colaboração" solicitada do ponto de vista "logístico e operacional".
Para o presidente da Câmara de Lisboa, tratou-se de uma "coincidência feliz" que a missa papal se realize no Terreiro do Paço, numa altura em que está a ser concluída a fase de requalificação do piso da praça.
"Foi um importante estímulo para que as obras se concluíssem no prazo previsto", afirmou.
A conclusão de toda a obra, incluindo o projeto de iluminação pública, está, contudo, prevista para o centenário da República, a 5 de outubro.
Papa recebe chaves da cidade
António Costa vê numa outra coincidência, a da visita do Papa com a comemoração do centenário de uma República com uma raiz anti-clerical, um "bom sinal" dos tempos.
"É bom sinal que no mesmo ano possamos receber Sua Santidade e possamos também comemorar o centenário. Hoje, felizmente, a leitura que todos fazemos do fenómeno espiritual e o que a própria igreja mudou ao longo deste século, permite-nos conviver com tolerância. Essa é uma das marcas importantes da cidade de Lisboa", argumentou.
Ao Papa a autarquia entregará as chaves da cidade, a distinção máxima reservada a chefes de Estado, que foi decidida em Câmara por unanimidade, mas essa será apenas a honraria oficial.
"Creio que a grande honra será a forma como a população da cidade receberá o papa", concluiu.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Nota da Direcção do Expresso