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Palestina: Um Estado Não Membro (II)

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Mostrando a proposta a entregar a Ban Ki-moon
Mostrando a proposta a entregar a Ban Ki-moon / Google Imagens

Na passada sexta-feira 23, Mahmoud Abbas apresentou nas Nações Unidas um pedido formal de reconhecimento da Palestina como Estado de pleno direito, tendo também homenageado Yasser Arafat, ao terminar o seu discurso perante a Assembeia Geral da ONU, da mesma forma que o líder histórico o fez em 1974, dizendo: "Não deixem que o ramo de oliveira caia da minha mão".

Abbas jogou uma cartada institucional crucial, a qual deverá ter decidido à última hora, já que discursar a uma sexta permitiu-lhe 4 dias de contactos ao mais alto nível, após ter chegado a Nova York, onde certamente muita coisa fora entretanto apalavrada quanto ao caminho a seguir nos próximos meses. Por outro lado, jogou também uma forte cartada pessoal. Abbas não é muito popular junto dos palestinianos e não tem, claramente, o carisma de Arafat. No entanto conseguiu o seu momento em 3 tempos distintos e com direito a ovações de pé, pela parte da maioria dos presentes. À entrada na Assembleia Geral, quando segura no pedido formal e o apresenta levantando o braço esquerdo e quando termina o discurso. Entretanto já regressou a Ramallah, onde foi apoteoticamente recebido pela população, com as ruas plenas de outdoors com a foto de Abbas a mostrar o papel do pedido formal de adesão, à Assembleia Geral.

Por outro lado, Benjamin Netanyahu fez através do seu discurso à Assembleia Geral, também na sexta-feira, o que ainda não tinha feito desde Fevereiro. Reconheceu finalmente que as coisas estão a mudar na sua vizinhança e estendeu a mão a Abbas, demonstrando disponibilidade imediata para o diálogo, para aquele mesmo dia caso assim se preferisse.

E a excitação de Tony Blair na conferência de imprensa, enviado do Quarteto para o Médio Oriente, denunciou que sabia muito mais do que o que poderia dizer, sinal de que houve um inevitável entendimento nos bastidores. O calendário apresentado foi o de um encontro entre todas as partes dentro de um mês. Em três meses deverão ser apresentadas propostas de compromissos concretos relativamente a fronteiras e segurança. Em seis meses deverão ter-se verificado avanços significativos em todos os assuntos, para que até ao final de 2012 se chegue a um Acordo Quadro sobre o futuro Estado.

O que me parece crucial em todo este processo é evitar um veto dos americanos, o que para além de enfurecer as ruas árabes iria prejudicar todo o processo da chamada Primavera Árabe. Países que já passaram a primeira fase da Primavera, como a Tunísia, o Egipto e a Líbia, necessitam de uns Estados Unidos fortes e crediveis envolvidos em todo o processo. Há já mesmo quem advogue a possibilidade de Israel aderir à NATO, o que faz sentido para refrear a influência que a Turquia está a ter no mediterrâneo e não se perder o Egipto, em paz com Israel desde os Acordos de Camp David de 1978. É nesse sentido que o timing de Abbas foi perfeito sendo que o timing do Quarteto vai coincidentemente cair mesmo em cima das Presidenciais americanas de Outubro 2012.

Todos vão regressar à mesa das negociações com uma aura renovada e um hálito novo, fundamental para tentar desbloquear questões-chave como o regresso dos refugiados palestinianos (impossível na minha opinião, é uma equação simples de demografia versus espaço), o congelamento da construção de colonatos (e o desmantelamento de alguns que foram construidos especificamente para serem moeda de troca em negociações futuras) e, o Estatuto de Jerusálem.

Curiosamente, parece que o parceiro mais complicado para a paz e para o reconhecimento de um Estado palestiniano soberano e internacionalmente reconhecido nos seus plenos direitos é o Hamas, cujos agentes proibiram qualquer tipo de celebração em Gaza, na sexta-feira, enquanto na Cisjordânia o ambiente era de festa, alegria e de celebração.

 

N.B. Para aceder à versão em árabe, clique no título em português e depois desça até ao fim da nova página que entretanto abriu. Em " Relacionados " encontrará PDF click to see the arabic version (versão árabe).

 

 ENGLISH VERSION

 

Palestine: A Non Member State (II)

In the past Friday the 23rd, Mahmoud Abbas presented at the United Nations (UN) a formal bid for the recognition of Palestine as a full member State and also made a tribute to Yasser Arafat, finishing his speech at the UN General Assembly the same way its historical leader did in 1974, in the same place, saying: "Don't let the olive branch fall from my hand".

Abbas played a crucial institutional card, which must have been decided in a last minute decision. Speaking on a Friday, gave the Palestinians 4 days for high level contacts since they arrived in New York, where certainly a lot of matters were "word up" for the next months. On the other hand, Abbas also played a personal card. He is not very popular amongst the Palestinians and clearly doesn't have the Arafat charisma. However, he was able to have his momentum in three different occasions, being entitled to standing ovations by the majority of the audience. The moment he enters the General Assembly, when he holds the formal bid and shows it raising his left arm and when he finishes the speech. Meanwhile, the Palestinian delegation already returned to Ramallah, where Abbas was received in apotheosis by the population, with the streets filed with outdoors with his photo showing the piece of paper with the bid, to the General Assembly.

On the other hand, Benjamin Netanyahu did through his speech, also on Friday in the UN, what he had not done since February. He finally recognized that things are really changing around his neighborhood and show immediate availability to dialogue, that same day, as he said.

The excitement of Quartet's Envoy for the Middle East, Tony Blair, clearly showed that he knew a lot more than he could tell, a blunt sign that there was an inevitable understanding in the backstage. The time line of events suggested by Blair is a meeting between all the parts within a month. In three months proposals with concrete commitments on borders and security should be submitted. In six months significant advances must have been taken in all issues, in order to have a final frame work agreement to a sovereign Palestinian State, by the end of 2012.

What seems to me crucial in this process is to avoid an American veto, which will infuriate the arab streets again and will harm the all process of the so called Arab Spring. Countries that already passed the first phase of the "Spring", like Tunisia, Egypt and Libya, need a strong and credible United States involved in the all process. There are already some people defending the incorporation of Israel within NATO, which makes a lot of sense in order to curb the Turkish influence in the Mediterranean and in order not to lose Egypt, in peace with Israel since the Camp David Accords in 1978. The Abbas' timing was perfect in this sense and the Quartet's timing for negotiation will coincidently fall on top of the Presidential election in the US, in October 2012.

Everybody will return to the negotiation table with a renewed aura and new breath, fundamental to try to unlock key questions just like the return of the Palestinian refugees (impossible in my opinion, it's a simple equation of demography versus space), freezing the construction of settlements (and dismantling some specifically build to be part of the trade-off bargain) and, the Jerusalem Status.

Curiously, it seems that the most difficult partner for peace and to the recognition of a Palestinian State internationally recognized an full of rights, is the Hamas, who's agents forbidden any type of celebration in Gaza, on Friday, while in the West Bank the atmosphere was of party, joy and celebration.

 

N.B. To access Arabic version, please click on the portuguese title above and then scroll until the end the new opened page. In " Relacionados " you'll find PDF click to see arabic version (versão árabe).

 

 


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QUE ESTADO PALESTINIANO?

Os palestinianos querem o seu Estado. Mas qual? O povo palestiniano, na média, tem uma vida dolorosa, como têm as populações das demais ditaduras árabes.

A principal força q se encarrega de tornar um inferno, o quotidiano dos moradores da Faixa de Gaza é o Hamas, não Israel. Não há nada q “o inimigo” possa fazer ali num clima de confronto que os próprios terroristas não façam como actos de rotina.

  Abbas, chefe do corrupto Fatah, referiu-se ao terrorismo no seu discurso, dizendo repudiá-lo, claro…

  Abbas é contra o terrorismo, e o resto, ele não quer negociar. Prefere o que é caracterizado como declaração unilateral de independência. Como se parte do princípio de q todo o sofrimento do povo palestiniano é causado por Israel, então a narrativa das vítimas contra os algozes está pronta para o consumo.

Sim, o sofrimento daquele povo é real. Mas ele é distorcido pela mais eficiente e oleada máquina piblicitária do planeta, que não é a de Israel q ao contrário, perdeu a guerra da propaganda.

  Israel não existe por vontade e decisão dos palestinianos — na verdade, existe contra elas.

O seu direito de existir não é uma concessão feita pelo adversário. As concessões de ambos os lados ainda estão por fazer.

(cont…)
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO? (Cont)
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO?
ERRATA
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO?
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO?
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO?
Re: QUE ESTADO PALESTINIANO?
'Palestina: Um Estado Não Membro (II)
"Tanta "gente" a dizer que os Palestinianos não devia ter pedido a adesão à ONU, tanta "gente", a mesma "gente", a dar-lhes razão."

e o resto pode ser lido aqui: http://aeiou.expresso.pt/... p=view#4015991

Basicamente digo que numa situação que apodreceu, é curioso como um gesto que "todos" queriam que a Palestina não fizesse, volta a dar esperanças de pôr todos nos eixos certos. Eu não tenho confiança completa de que estas esperanças se realizem. O "não deviam fazer", seguido por todo o tipo de razões para mostrar que foi bem feito terem-no feito (o recomeçar das negociações, etc), demonstra também muito da inércia e da "acomodação" à necessidade de não afrontar Israel. O concelho para os Palestinianos fazerem isto devia ter partido do quarteto à muito tempo... porque não o fez? É que me parece evidente também que a manutenção do statuos quo tem jogado contra Israel, na expressão de deriva políticas dos seus aliados na zona, para longe dele.

Mas no respeitante ao seu texto: "Israel aderir à NATO, o"..." faz sentido"? Para refrear a Turquia, que também é membro da NATO? Absurdo.

Em termos estratégicos representaria comprar um conflito que a Europa não precisa.
Re: 'Palestina: Um Estado Não Membro (II)
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Edição Diária 17.Abr.2014

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