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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Coloco este nome no título, porque se trata de um ex-ministro da Cultura (ainda que episodicamente) e deputado do partido do Governo. Podia pôr outros, por exemplo o do cronista Rui Tavares, no ‘Público’. E faço-o por uma questão concreta, pouco importante mas muito falada: o jantar da Web Summit no Panteão. Uma enorme carneirada, a quem pouca gente escapou, arrastada pela irracionalidade de redes sociais, decidiu que era crime de lesa-pátria. O primeiro-ministro, com a sua habilidadezinha, recordou que a possibilidade de haver um jantar ali se devia a um despacho do anterior Governo. Com isso conseguiu politizar a matilha

  • Eduardo Gageiro: “Tenho pena de não ter fotografado Salazar a cair da cadeira. No caixão ele parecia um abutre”

    Podcasts

    Chamam-lhe o “fotógrafo do povo e da revolução”. Ele confessa-se “um homem de coragem por trás de uma máquina”. Aos 82 anos, Eduardo Gageiro conta a sua história e as histórias do país que documenta desde os 12 anos, quando tomou de empréstimo uma máquina de plástico do irmão. Numa época em que ser fotógrafo de jornais era tantas vezes ser um mero “bate-chapas” do sistema, Gageiro arriscou ir além: revelou o Portugal a preto e branco de Salazar, a tragédia das cheias de 1967 (que aconteceu há 50 anos), esteve na linha da frente do 25 de Abril, registou o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, ou as glórias de Eusébio e Amália. Nesta conversa, Gageiro faz contas à vida, à doença e à solidão, assume um certo mau feitio, mas assegura que “nunca foi mau para ninguém” e espera “durar mais dois anitos” para ver a inauguração da sua Casa da Imagem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Ao ouvir e a ler os relatos do discurso de Jerónimo de Sousa, ontem no Coliseu de Lisboa comemorando os 100 anos da Revolução russa, fiquei com a impressão que já nem o PCP é leninista. Jerónimo falou que nem um ‘menchevique’, daí que o hino (e o jornal) do partido devesse mudar de ‘Avante’ para ‘Aguenta’

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Ao ser convidado para debater e também para apresentar um livro de Manuel S. Fonseca sobre a Revolução de Outubro (7 de Novembro no nosso calendário), reparei que 100 anos depois desse marco histórico muita gente desconhece a verdade, convencida por um mito que os próprios comunistas e seus aliados criaram. Tal mito resulta, essencialmente, da traição dos intelectuais, daqueles que viveram do jornalismo, da literatura, das artes e foram incapazes de denunciar o que sabiam. A razão de tal comportamento ainda é, para mim, obscura; a sua existência, pelo contrário, é evidente

  • O nome do pai

    Sociedade

    Luciana Leiderfarb

    Como é chamar-se Himmler, Göring ou Höss? O que se faz quando um pai, um tio ou um avô foi um assassino nazi? Relato de cinco descendentes que carregam o fardo da sua linhagem. No dia em que a jornalista Luciana Leiderfarb foi distinguida com o prémio Gazeta de Imprensa, o Expresso republica o trabalho “O nome do pai”

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Dizer que Donald Trump fez nas Nações Unidas um discurso belicista já está mais do que dito. Contrastou violentamente com o de Guterres, secretário-geral da ONU, na abertura, sobretudo quando este disse – e bem – que as palavras de guerra propiciam, elas próprias, a guerra. Nem o facto de o presidente dos EUA estar de acordo, no essencial, com a reforma da ONU, tão cara ao secretário-geral, diminuiu a tensão que se viveu

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    A comunidade catalã foi sempre olhada em Portugal com interesse e carinho. Talvez por ter propiciado, com a sua revolta no séc. XVII, a restauração em Lisboa, que se viu livre dos Filipes; talvez por ser uma espécie de Portugal falhado, embora mais rico e dinâmico; falhado na sua independência de Madrid. Também porque todos os portugueses, ou quase, foram ensinados no espírito nacionalista do séc. XIX dos grandes acometimentos de Tomás Ribeiro, o poeta do regime que clamava em ‘D. Jaime’ (poema referindo o tempo dos Filipes): “Portugal é lauta boda onde come a Espanha toda. Lobos famintos - comei!”

  • Manuel de Seabra, Um homem do mundo

    Crónica

    António Loja Neves

    Manuel de Seabra vai ser homenageado esta quarta-feira em Lisboa. Um merecido tributo a um dos grandes intelectuais portugueses que deixou a sua marca sem algazarra, em campos como a escrita, a tradução e o jornalismo. E na rara arte de construir amizades

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Passam hoje precisamente 10 anos sobre a morte prematura de Eduardo Prado Coelho. Tinha apenas 63 anos e o seu brilho intelectual estava intacto. É alguém que faz falta a quase todas as polémicas que andam pela praça pública. Não o afirmo por concordar com ele, ou esperar que ele concordasse comigo. Mas porque, na discordância, o Eduardo tornou-se um homem de enorme tolerância e abertura