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Expresso

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Mark Rutte (VVD), que perdeu 8 lugares, importou grande parte do discurso de Wilders, sendo, em alguns temas fundamentais que marcam a fronteira entre a direita civilizada e a extrema-direita, difícil distingui-los. O alívio com o resultado de Wilders parece ter obscurecido um dos dados mais impressionantes: o resultado do Partido do Trabalho (PvdA), de Jeroen Dijsselbloem. Ele é especialmente relevante porque confirma um padrão europeu: a pasokização de vários partidos socialistas e trabalhistas. O PvdA, que participou num governo de austeridade que decretou o fim do Estado Social, passa de 38 para 9 deputados, ficando abaixo dos partidos à sua esquerda. Recordo que a integração dos imigrantes e os refugiados é apenas a nona preocupação dos eleitores dos principais partidos holandeses. Antes dela está, por esta ordem, a manutenção do sistema de saúde, a segurança social, a luta contra o terrorismo, o dinheiro para educação. É por isso estranho que Augusto Santos Silva se venha congratular com os resultados, falando do ano da derrota do populismo, quando, apesar do alívio por Wilders não ter chegado ao topo, temos a direita tradicional a absorver parte do seu discurso e o centro-esquerda a eclipsar-se da vida política holandesa. É bem diferente da imagem de normalidade e continuidade que se está a tentar passar

  • Holanda recusa populismo de Wilders

    Internacional

    Pedro Cordeiro

    O liberal conservador Mark Rutte deverá continuar como primeiro-ministro. Apesar de castigado nas urnas esta quarta-feira, venceu as legislativas com distância. Para trás ficou o populista xenófobo Geert Wilders. Abre-se, agora, um período de conversações para formar um Governo que pode incluir quatro ou mais partidos, mas não a extrema-direita de Wilders

  • De olhos postos na Holanda. O que esperar das legislativas dominadas pelo controverso Geert Wilders

    Internacional

    Joana Azevedo Viana

    Corrida está a ser disputada pelo partido conservador do primeiro-ministro Mark Rutte e pelo Partido da Liberdade (PVV), extrema-direita anti-imigração e anti-Islão, cujo líder promete retirar o país da UE, encerrar mesquitas e banir o Corão. É improvável que Wilders se torne primeiro-ministro mesmo que o seu partido fique em primeiro lugar, sobretudo porque há 28 partidos a disputar assentos no parlamento e todos se recusam a integrar uma coligação com o PVV. A potencial vitória da extrema-direita no país será mais nociva para o resto da União Europeia, a poucas semanas das presidenciais em França e a meio ano das eleições federais na Alemanha

  • A tempestade holandesa

    Internacional

    Simon Kuin, em Amesterdão

    Os holandeses vão às urnas a 15 de março e a extrema-direita de Geert Wilders lidera as sondagens. Será o próximo Governo holandês anti-Islão e anti-Europa?

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Repete-se na Holanda o que se está a ver em França: a extrema-direita cresce juntando à agenda xenófoba que lhe é tradicional as bandeiras da esquerda. No dia da vitória de Geert Wilders, todos se vão concentrar no racismo e na xenofobia, como reação à imigração, ao Islão e ao “politicamente correto”. Ignorando que essa não é a novidade. Essa é a velha cantiga da extrema-direita holandesa e europeia. A novidade é um governo com a participação de trabalhistas ter decretado oficialmente o fim do Estado Social e ter imposto uma política de austeridade. A novidade é os dois partidos do centro correrem o risco de passarem de mais metade do Parlamento para menos de um terço. A novidade é os trabalhistas ficarem reduzidos a metade, a um terço ou a um quarto da bancada parlamentar que hoje têm. A novidade não tem novidade nenhuma: a extrema-direita está a chegar ao poder por culpa de uma esquerda que quis ser do centro e acabou na direita, traindo todos os seus valores