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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Há precisamente oito dias, um dos comités da UNESCO aprovou, em Paris, uma resolução sobre o monte do Templo em Jerusalém, património da humanidade, referindo o local apenas pelos seus nomes em árabe (nomeadamente a Mesquita de Al-Aqsa/Al-Haram Al-Sharif). A ideia da resolução seria condenar agressões de elementos da extrema-direita israelita e dificuldades que as autoridades de Israel colocam para o acesso à Mesquita. O que enfureceu Israel foi nunca se reconhecer no texto que naquela mesma praça esteve o Santo dos Santos do templo de Herodes, do qual resta o muro ocidental (ou Muro das Lamentações), sendo por isso um lugar santo para os judeus

  • Os muçulmanos não vão a Fátima

    Diário

    Anabela Natário

    A ideia, nascida há duas décadas, de que crentes de outras religiões, em especial muçulmanos, partilhariam com os católicos o lugar de culto situado em Fátima, parece ter desaparecido. Na estatística do santuário, não há registo de peregrinos não católicos. E se houvesse, para o imã de Lisboa isso não faria qualquer sentido, já que o lugar de peregrinação de quem acredita em Alá é Meca

  • &conomia à 6ª

    Sandra Maximiano

    Esta semana foi marcada por ódios que incendiaram as redes sociais. Por um lado, o ódio dos crentes e fiéis sobre o cartaz do Bloco, “Jesus também tinha dois pais”, cartaz que pretendia celebrar a aprovação da lei que permite a adoção por casais do mesmo sexo. Por outro, o ódio de muitos Alentejanos para com o novo livro de Henrique Raposo, “Alentejo Prometido”, um livro que aborda a “cultura do suicídio” e a “desconfiança” de um povo

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Os cristãos têm todo o direito a indignarem-se com a capa do Charlie Hebdo que, no primeiro aniversário do atentado, passa da generalização que fazia com os muçulmanos para uma generalização com todos os crentes. As pessoas decentes têm todo o direito a indignarem-se com o cartoon nojento que diz que Aylan seria um abusador de alemãs se não tivesse morrido com três anos numa praia turca. Ninguém tem o direito de os proibir. Assim como qualquer pessoa tinha o direito de criticar os cartoons islamofóbicos do Charlie Hebdo sem ser acusado de os querer censurar ou de ser amiguinho de terroristas. Confundir a defesa da liberdade de expressão com a aceitação do que essa liberdade expressa é uma forma de tentar limitar a liberdade de crítica. Não é por acaso que o único momento em que há um consenso na defesa da liberdade de expressão e do direito à blasfémia é quando o foco de ataque é o islamismo. Com muita gente passa-se o mesmo que se passa quando ignoram os brutais números da violência doméstica em Portugal, gozam com qualquer lei que tente defender as mulheres do assédio sexual, mas rapidamente se tornam feministas quando os agressores e abusadores são muçulmanos. Falam então dos “nossos valores”. Dá vontade de perguntar: se são “nossos”, porque raio nunca vos vi a lutar por eles?

  • Catarse e homenagem

    Cultura

    Pedro Cordeiro

    Um ano após o massacre na redação do “Charlie Hebdo”, desenhos de crianças e jovens homenageiam as vítimas e ajudam a pensar sobre aquela tragédia