Siga-nos

Perfil

Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    A decisão de Donald Trump contra a entrada de cidadãos oriundos de sete países islâmicos (dos quais ficou habilmente excluída a Arábia Saudita, principal exportadora de ódio antiocidental) já foi amplamente debatida e dissecada. Permitam-me, porque é raro poder fazê-lo com tanta convicção, dizer que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, mais do que estar à altura dos acontecimentos, utilizou a exata palavra que é necessário usar: é ilegal. É ilegal do ponto de vista da Europa, do ponto de vista dos tratados internacionais e penso que do ponto de vista da própria jurisprudência dos EUA

  • A noite que mudou a vida de Guterres

    Política

    José Pedro Castanheira e Ana Baião

    A surpresa foi total e absoluta: no PS, no Governo, na Presidência da República, no país. Na noite das eleições autárquicas de 16 de dezembro de 2001, perante a dimensão da derrota, António Guterres demitiu-se de primeiro-ministro do XIV Governo. Livre do partido e do executivo, passou a dedicar-se por inteiro à política externa. Primeiro como presidente da Internacional Socialista, depois como alto-comissário para os refugiados, agora como secretário-geral da ONU

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Num interessante artigo disponível no Financial Times, mas também (traduzido em português, claro) no ‘Diário de Notícias’, o comentador Wolfgang Münchau alega que “as grandes coligações da Europa permitiram o fortalecimento dos extremos”. Este é, aliás, o título que dá ao seu comentário, dando depois exemplos do que se passou na Áustria, onde um candidato presidencial de extrema-direita ficou em primeiro, seguido de um candidato de ‘Os Verdes’ (e deixando de para trás os tradicionais partidos conservador e social-democrata), e ainda na Alemanha, onde o SPD, o mais antigo partido do país, anda pelos 20%, depois de se ter aliado a Merkel numa grande coligação

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    O PSD e o CDS recusaram-se a condenar as prisões políticas em Angola. Em defesa da separação de poderes não tomam posições sobre julgamentos. No entanto, não hesitaram em condenar, em igual voto no parlamento, a prisão de 80 “opositores pacíficos” por “delito de opinião e consciência” que foram “julgados e condenados a pesadas penas de prisão” em Cuba. A separação de poderes é coisa que merece ser respeitada em Angola mas não interessa para nada em Cuba. O PCP recusou-se a condenar estas prisões por respeito pela soberania angolana e defendendo que cabe à justiça do país tratar destes assuntos. Mas propôs um voto ao parlamento para condenar “a brutal campanha de repressão e perseguição levada a cabo pelas autoridades de Kiev contra várias forças políticas e personalidades” e, ainda há uns dias, em nota oficial, lamentava a "instrumentalização do sistema judicial" brasileiro. A soberania conta para Angola mas não conta para a Ucrânia, as decisões da justiça respeitam-se em Angola e não no Brasil. O pior já nem é o apoio a prisões políticas de uma ditadura, é o cinismo. Suporta-se melhor quem erra por convicção do que quem dissimula por cobardia