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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Conseguimos, uma vez mais, algo em que somos verdadeiramente bons: indignarmo-nos! E, desta vez, em conjunto com países como a Itália, a Espanha e a Grécia. Temos razão? Etimologicamente não. Indignar-se significa ser olhado como não tendo dignidade e não é um Dijsselbloem qualquer que consegue esse feito. Popularmente, sim. O holandês disse umas coisas ao jornal Frankfurter Allgemeine que não lhe ficam bem, nem são próprias de um ministro, que para mais é presidente do Eurogrupo

  • Três horas e vinte sem falar do que toda a gente fala

    Diário

    Em França, os cinco “principais” candidatos oficiais às presidenciais do próximo mês participaram no longo debate na TV. Mas apenas o “esquerdista” Jean-Luc Mélenchon ousou falar, e levemente, no tema que domina as eleições, os empregos “fictícios” da família e dos adjuntos dos candidatos François Fillon e Marine le Pen. Por que razão? Porque o PS também tem um problema idêntico

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Numa interessante reportagem multimédia a que a Rádio Renascença deu hoje destaque, verifica-se como há diversos emigrantes portugueses a apoiar Marine Le Pen. O título da reportagem também não deixa dúvidas – “O feitiço de Marine Le Pen conquista portugueses”. Ora, em vez de preconceituosamente arrumarmos estes compatriotas que já são também franceses, na gaveta dos xenófobos, fascistas e racistas interessa ver qual a razão que leva alguém que emigrou a votar em propostas xenófobas

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Mark Rutte (VVD), que perdeu 8 lugares, importou grande parte do discurso de Wilders, sendo, em alguns temas fundamentais que marcam a fronteira entre a direita civilizada e a extrema-direita, difícil distingui-los. O alívio com o resultado de Wilders parece ter obscurecido um dos dados mais impressionantes: o resultado do Partido do Trabalho (PvdA), de Jeroen Dijsselbloem. Ele é especialmente relevante porque confirma um padrão europeu: a pasokização de vários partidos socialistas e trabalhistas. O PvdA, que participou num governo de austeridade que decretou o fim do Estado Social, passa de 38 para 9 deputados, ficando abaixo dos partidos à sua esquerda. Recordo que a integração dos imigrantes e os refugiados é apenas a nona preocupação dos eleitores dos principais partidos holandeses. Antes dela está, por esta ordem, a manutenção do sistema de saúde, a segurança social, a luta contra o terrorismo, o dinheiro para educação. É por isso estranho que Augusto Santos Silva se venha congratular com os resultados, falando do ano da derrota do populismo, quando, apesar do alívio por Wilders não ter chegado ao topo, temos a direita tradicional a absorver parte do seu discurso e o centro-esquerda a eclipsar-se da vida política holandesa. É bem diferente da imagem de normalidade e continuidade que se está a tentar passar

  • De olhos postos na Holanda. O que esperar das legislativas dominadas pelo controverso Geert Wilders

    Internacional

    Joana Azevedo Viana

    Corrida está a ser disputada pelo partido conservador do primeiro-ministro Mark Rutte e pelo Partido da Liberdade (PVV), extrema-direita anti-imigração e anti-Islão, cujo líder promete retirar o país da UE, encerrar mesquitas e banir o Corão. É improvável que Wilders se torne primeiro-ministro mesmo que o seu partido fique em primeiro lugar, sobretudo porque há 28 partidos a disputar assentos no parlamento e todos se recusam a integrar uma coligação com o PVV. A potencial vitória da extrema-direita no país será mais nociva para o resto da União Europeia, a poucas semanas das presidenciais em França e a meio ano das eleições federais na Alemanha