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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Coloco este nome no título, porque se trata de um ex-ministro da Cultura (ainda que episodicamente) e deputado do partido do Governo. Podia pôr outros, por exemplo o do cronista Rui Tavares, no ‘Público’. E faço-o por uma questão concreta, pouco importante mas muito falada: o jantar da Web Summit no Panteão. Uma enorme carneirada, a quem pouca gente escapou, arrastada pela irracionalidade de redes sociais, decidiu que era crime de lesa-pátria. O primeiro-ministro, com a sua habilidadezinha, recordou que a possibilidade de haver um jantar ali se devia a um despacho do anterior Governo. Com isso conseguiu politizar a matilha

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O Expresso lança a partir do próximo sábado, e durante sete semanas, o livro ‘Portugal Amordaçado’ escrito em 1972 por Mário Soares. Os sete volumes têm diversos prefaciadores, incluindo os filhos do autor e não vou fingir que eu, escrevendo estas linhas, não estou ligado ao projeto. Claro que estou. Mas isso não me impede, feita a respetiva declaração de interesses, de tentar explicar porque acho importante esta obra

  • O retrato impiedoso do candidato da CDU

    Diário

    Paulo Paixão e Marcos Borga

    João Ferreira não deixa pedra sobre pedra no balanço que faz da década de gestão socialista de Lisboa (aliás, com o tempo de Santana e de Carmona, são 16 anos, um período de “negociatas” e de primado dos “interesses particulares”). Quem pensava que o clima da “geringonça” amenizaria o ímpeto comunista nas próximas autárquicas, enganou-se. No palco de Lisboa, os socialistas e a direita de braço dado voltaram ao discurso do PCP

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Há uns anos, a Câmara Municipal de Lisboa permitiu que a sede da PIDE fosse transformada num condomínio privado. Ao fazê-lo apagou um rasto da PIDE e contribuiu, mesmo que involuntariamente, para o branqueamento da nossa história. Não basta saber que houve pessoas torturadas e assassinadas por uma polícia política, é preciso que haja provas físicas desse facto histórico. Agora é a vez do Forte de Peniche ser concessionado para atividade hoteleira. Preservar e dar mais visibilidade a este símbolo da repressão e da ditadura não é apenas um dever que temos para com aqueles que a sofreram de forma mais direta. Corresponde a uma necessidade do regime fixar a sua identidade democrática. Sem símbolos não há memória, sem memória não há passado, sem passado não se aprende nada e nada se é. A identidade de um País não é uma coisa natural, espontânea. Resulta da forma como a sua história é recordada. E a memória precisa de símbolos. Se a nossa se construir quase em absoluto em torno dos descobrimentos e da “lusofonia”, mais não faremos do que repetir o imaginário que o Estado Novo alimentou. Como a identidade de uma Nação se faz por camadas de narrativas oficiais e populares, ficamos pouco apetrechados para defender a nossa jovem democracia. Sobra a grandeza da pátria, falta a sua liberdade

  • A noite que mudou a vida de Guterres

    Política

    José Pedro Castanheira e Ana Baião

    A surpresa foi total e absoluta: no PS, no Governo, na Presidência da República, no país. Na noite das eleições autárquicas de 16 de dezembro de 2001, perante a dimensão da derrota, António Guterres demitiu-se de primeiro-ministro do XIV Governo. Livre do partido e do executivo, passou a dedicar-se por inteiro à política externa. Primeiro como presidente da Internacional Socialista, depois como alto-comissário para os refugiados, agora como secretário-geral da ONU