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Expresso

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Soares foi um líder político do seu tempo e isso provavelmente quer dizer que seria líder de outro tempo qualquer. Representou o combate pela abertura do País ao exterior, que o levou a ser europeísta. Representou o confronto da guerra fria, tendo-se posicionado ideologicamente tendo em conta esse confronto histórico. E representou, em Portugal, os combates fundadores de qualquer democracia. Mas não devemos confundir as capacidades de Soares com as suas circunstâncias. E a prova disso mesmo é que, no fim da vida, Soares soube compreender as novas divisões políticas que se estavam a desenhar na Europa e em Portugal. O tempo dos tecnocratas é o tempo que está a ser derrotado. A política está, em cores berrantes e feias, de regresso. Nesta nova era, perante estes combates de novo fundadores e dramáticos, Soares estaria como peixe na água. E quem queira ter um papel central neste confronto usará melhor o seu tempo a aprender com o legado de Soares do que a lamentar, pela enésima vez na história, o fim das grandes lideranças

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    O PCP passou de 140 mil militantes em 1996 (tenho ideia de serem quase 200 mil nos anos 80) para 54 mil neste momento. E o facto de mais de metade não pagar quotas é um barómetro de menor militância. Em 1999 os sindicatos filiados na CGTP tinham 763 mil sindicalizados, agora terão 550 mil, segundo a central sindical. Um estudo do Banco de Portugal diz que, entre 1980 e 2010, a percentagem de trabalhadores sindicalizados passou de 59% para 11%. Não podemos analisar um partido com 54 mil militantes e que influencia uma central sindical que representa sobretudo os trabalhadores do sector público com as mesmas premissas que se usavam para falar de um partido onde militavam quase 2% dos portugueses e que era capaz de parar a economia. Mas ao mesmo tempo que pedia influência social o PCP reverteu, desde o inicio deste século, a queda eleitoral que tinha sofrido entre 85 e 95. A convergência entre influência social e influência eleitoral e institucional teve efeitos. A disponibilidade para sustentar um governo do PS e a sua maior dependência em relação aos ciclos eleitorais, por exemplo. Porque tudo mudou à sua volta, o atual PCP é muito diferente do PCP que Álvaro Cunhal liderou. A sua arte foi mudar com a maré passando a ideia que era uma rocha

  • Os mitos em torno do 25 de Novembro de 1975

    Sociedade

    Rui Cardoso

    Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à 'Couraçado Potemkine', como escreveu, na altura, “Le Monde”? Quando passa mais um aniversário do golpe militar, reproduzimos no Arquivo Expresso desta quinta-feira o artigo publicado originalmente na revista de 22 de novembro de 2008

  • Os mitos em torno do 25 de Novembro de 1975

    Diário

    Rui Cardoso

    Confronto entre ditadura e democracia ou esboroar de uma revolução romântica, à 'Couraçado Potemkine', como escreveu, na altura, “Le Monde”? Quando passa mais um aniversário do golpe militar, reproduzimos no Arquivo Expresso desta quinta-feira o artigo publicado originalmente na revista de 22 de novembro de 2008

  • O que o tempo, a memória e os homens fizeram às prisões do Estado Novo

    Sociedade

    Alexandra Simões de Abreu

    O Governo divulgou em setembro uma lista de 30 monumentos que serão alvo de concessão a privados. Entre eles constava o Forte de Peniche, onde estiveram presos políticos que se destacaram na luta antifascista. Da sua história fazem parte a prisão e a fuga, já levada às salas de cinema, de Álvaro Cunhal. Em dois meses os protestos foram tais que o Governo acabou por retirar o Forte de Peniche da referida lista, impedindo assim que parte da fortaleza que já alberga um museu se tornasse um hotel. A propósito desta polémica, recuperámos outros locais e edifícios que também serviram de prisão ou cenário de interrogatórios e torturas levados a cabo pela PIDE e que foram entretanto transformados em museus, pousadas ou condomínios de luxo

  • O que o tempo, a memória e os homens fizeram às prisões do Estado Novo

    Diário

    Alexandra Simões de Abreu

    O Governo divulgou em setembro uma lista de 30 monumentos que serão alvo de concessão a privados. Entre eles constava o Forte de Peniche, onde estiveram presos políticos que se destacaram na luta antifascista. Da sua história fazem parte a prisão e a fuga, já levada às salas de cinema, de Álvaro Cunhal. Em dois meses os protestos foram tais que o Governo acabou por retirar o Forte de Peniche da referida lista, impedindo assim que parte da fortaleza que já alberga um museu se tornasse um hotel. A propósito desta polémica, recuperámos outros locais e edifícios que também serviram de prisão ou cenário de interrogatórios e torturas levados a cabo pela PIDE e que foram entretanto transformados em museus, pousadas ou condomínios de luxo