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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não nego que a ideia de que muitas coisas nos andam a escapar, por culpa de preconceitos nossos e de outros, me foi motivada pela leitura de um artigo da ex-diretora do ‘Público’ Bárbara Reis. As questões que ela levanta, quase todas à volta da visita de Trump ao Papa, são pertinentes e sólidas. Nem ela nem eu (espero) seremos suspeitos de apoiar o estranho presidente dos EUA (e o adjetivo estranho é para dizer o menos). Mas o facto de ele ser quem é, e como é, não nos permite menos rigor ou menos seriedade. Sob pena de nos tornarmos naquilo que ele passa a vida a dizer que somos

  • Milhões em risco

    Economia

    Anabela Campos e Isabel Vicente

    O festim da banca terá acabado, mas as dívidas ficaram e muitas não vão ser pagas. São milhares de milhões de euros de crédito. Os estragos continuam a minar a saúde dos bancos. Mas os grandes devedores não são todos iguais: uns esforçam-se por pagar, outros nem por isso

  • Rui Horta e Costa, o 21º passageiro

    Diário

    Rui Gustavo

    Mais de dois anos depois de ter começado, a investigação da Operação Marquês continua a engrossar: Rui Horta e Costa é o 21º arguido do processo e demitiu-se esta quarta-feira do cargo de gestor dos CTT

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    António Domingues foi nomeado para presidente da CGD por um novo governo para dirigir o maior banco português. Não há suspeitas de favorecimento político, tem uma longa experiência de gestão bancária e ninguém, dos que criticam o seu salário, põe em causa a sua competência técnica e profissional. Vai receber por funções muitíssimo claras 30 mil euros mensais. Sérgio Monteiro foi nomeado “vendedor” do Novo Banco por um governo demissionário de que era secretário de Estado e quase todos põem em causa as suas habilitações curriculares para a tarefa. Está a receber, para fazer ninguém sabe muito bem o quê, quase 30 mil euros mensais. Nos sites do “Público” e do “Diário de Notícias” as referências ao salário de António Domingues foram cinco vezes superiores às do salário de Sérgio Monteiro. Nos do “Expresso” e da TSF foram três vezes mais. No do “Correio da Manhã” seis. Não é possível fazer estas contas nos canais de televisão, mas arrisco uma proporção ainda mais favorável a Domingues. Criticar esta parcialidade não é assumir que a polémica é inadequada. O que se critica é a desproporção. Sobretudo quando o caso menos tratado é objetivamente mais difícil de justificar do que aquele que alimentou maior polémica mediática. Estas coisas não acontecem naturalmente. É a agenda política de quem marca a agenda mediática

  • Tribunal anula castigo a histórico da PJ

    Diário

    Rui Gustavo

    Teófilo Santiago, o polícia que liderou a investigação no processo Face Oculta, ganhou na Justiça o que perdeu na PJ: tribunal anulou um castigo disciplinar por causa de um artigo de opinião no “Correio da Manhã”. “Foi um processo feio e desnecessário”, reage

  • Antes pelo contrário

    Daniel Oliveira

    Poucas vezes vi tão bem explicada a cultura tabloide como no documentário “Amanda Knox” (disponível na Netflix). O seu melhor autorretrato foi pintado por Nick Pisa, o homem que cobriu o julgamento da jovem norte-americana suspeita do homicídio de uma jovem britânica em Itália para o “Daily Mail”. A “deontologia” do jornalismo tabloide segue a mesma lógica da literatura de cordel ou do capitalismo em geral: a função de cada um na vida é produzir coisas que se vendam. Se o conseguem fazer são competentes. Só que os jornalistas dos tabloides vendem um produto muito especial: a vida das pessoas. São, em sociedades em paz, o que de mais parecido há com mercenários na guerra ou assassinos a soldo. São, e é altura para começarem a ser tratados como tal, criminosos. O facto de José António Saraiva celebrar o choque que causou o seu livro por ter levado a uma “corrida às livrarias” e “novas edições” demonstra como a principal arma concorrencial dos jornalistas dos tabloides é a sua própria amoralidade. Usarem a liberdade de imprensa e de expressão para se protegerem é como um saqueador defender-se com a liberdade de manifestação ou um mafioso agir ao abrigo da liberdade de associação