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Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Uma pergunta raramente feita a propósito da Catalunha é a que está no título: Porquê agora? Porquê desta forma? A questão é tanto mais interessante quanto o putativo líder da independência catalã, Carles Puigdemont, é de um partido que nunca colocou essa questão. Pelo contrário, a CiU (Convergência e União) era o kingmaker dos Governos de Madrid (aqueles que aliados à esquerda ou à direita determinavam quem governava Espanha). O seu líder e fundador Jordi Pujol foi membro da Assembleia Constituinte espanhola, entre 1977 e 1980, e 23 anos presidente da Generalitat (1980-2003), sem que a independência estivesse no programa

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Deixemos a História, que como se sabe, não lhes é favorável; deixemos o facto de a sua autonomia já ser enorme, de forma poderem ensinar nas suas escolas o catalão como língua primeira; deixemos a ideia peregrina e mil vezes desmentida pelas empresas, de que seriam a região mais rica da Península se separados da Espanha. Vamos ater-nos, apenas, às questões políticas, como parecem preferir os independentistas

  • Catalunha à beira da “independência real”? Para já, empresas retiram sedes da região

    Internacional

    Pedro Cordeiro

    No dia em que o Governo catalão transmitiu oficialmente ao Parlamento regional os resultados do referendo ilegal de domingo último, o presidente Carles Puigdemont sofreu duros reveses. Além de ter visto o seu antecessor afirmar que a Catalunha não está preparada para a “independência real”, são cada vez mais as empresas a anunciar que tiram as suas sedes da região. Sobre a situação catalã, o Expresso entrevistou entretanto Nuria Marín, presidente da Câmara no segundo município mais povoado da Catalunha

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Tenho recebido muitas críticas pela posição que tenho vindo a tomar sobre o referendo e a possível independência da Catalunha. Argumentei com a História, com o facto de aquela região rica não querer transferir dinheiro para outras muito mais pobres no país (Extremadura ou Andaluzia, por exemplo) e poderia, ainda, fazê-lo por razões meramente portuguesas – não seria bom para o nosso país ser um dos três existentes na Península. Referi ainda o excesso de rigidez e de brutalidade de Madrid. Como retorno recebo mensagens que me perguntam: muito bem, mas se eles querem a independência é democrático deixá-los fazer o referendo. E eu respondo: democrático? Vamos ver

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    A comunidade catalã foi sempre olhada em Portugal com interesse e carinho. Talvez por ter propiciado, com a sua revolta no séc. XVII, a restauração em Lisboa, que se viu livre dos Filipes; talvez por ser uma espécie de Portugal falhado, embora mais rico e dinâmico; falhado na sua independência de Madrid. Também porque todos os portugueses, ou quase, foram ensinados no espírito nacionalista do séc. XIX dos grandes acometimentos de Tomás Ribeiro, o poeta do regime que clamava em ‘D. Jaime’ (poema referindo o tempo dos Filipes): “Portugal é lauta boda onde come a Espanha toda. Lobos famintos - comei!”