Siga-nos

Perfil

Expresso

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Comecemos pelo Presidente. É um senhor que sabe fazer as coisas nos tempos e nos locais precisos. Parece que nasceu com ele. Se alguém disse que o ‘Presidente dos afetos’ também sabe ser duro, há que reconhecer que havia na dureza uma afetuosidade bastante esquecida pela maioria dos políticos – as pessoas estão em primeiro lugar e os lutos são momentos importantes. Não podemos andar a discutir aspetos técnicos da prevenção e combate ao fogo, bem como do ordenamento do território e esquecer, ou não sublinhar que mais 100 pessoas morreram este ano. A larga maioria porque o Estado não cumpriu o seu dever

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Há fotografias em todos os jornais, de ontem e de hoje, que são autênticos libelos acusatórios. De gente simples, de bombeiros, de autarcas. Todos eles referem adjetivos terríveis: dantesco, usado por Almeida Henriques, presidente da Câmara de Viseu, talvez os resuma. Remete para o inferno, para o fim da esperança. “Ó vós, que aqui entrais, abandonai toda a esperança” escreveu Dante quando o seu herói, Virgílio, chega ao Inferno. E nós? Podemos abandonar toda a esperança?

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Não é minha intenção culpar ou pedir a cabeça de alguém. Mas, dito isto, não ficaria desgostoso se alguém se assumisse como culpado ou pusesse a cabeça no cepo. Não podemos achar normal que, depois de um incêndio que levou 65 vidas, tenhamos outro horror como o que vivemos. Não é normal que o primeiro-ministro se conforme a dizer que não tem uma varinha mágica – é certo que a não tem, mas é seu dever mobilizar, dar o exemplo. Resignar-se, não! As suas palavras, caso não fossem ditas nestas circunstâncias políticas, teriam uma vaia generalizada, a começar pelo Bloco e PCP

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    O documento fundamental para as nossas economias e para a Economia do país foi hoje apresentado. Resulta de uma cuidadosa reunião de ingredientes, alguns exóticos, provenientes dos mais longínquos espetros políticos. Junta-se um pouco de demagogia, um q.b. de cedências e uma boa dose de ‘carrega aí em impostos de que ninguém se lembra’. Mexe-se tudo, atormentando devidamente um ministro das Finanças que, mal ou bem, ainda tem de convencer os parceiros europeus (coisa em que já deu provas mais que positivas) e serve-se com um sorriso de vitória do primeiro-ministro. Aos parceiros deixa-se também um ar vitorioso que não desdenham, e no fim está tudo contente

  • Reflexões sobre o nazismo

    Cultura

    Luís M. Faria

    “Durante o extermínio, os judeus são um mosaico de mil facetas, avaliam a situação, agem e caem em armadilhas que não conseguem ver. A sua história é a de indivíduos muito diversos que, de facto, são tudo menos passivos, mas não conseguem reconhecer a linha de um destino que tudo cobre.” Por estranho que nos pareça hoje, longe da situação, “a maioria acreditava de facto no que os alemães lhe diziam: que iam para Leste, para campos de trabalho”

  • Os nomes e as histórias de quem morreu no “pior tiroteio da história” dos EUA

    Diário

    Helena Bento e Marta Gonçalves

    Hannah, Denise, Jordan, Sonny, Jordan e Bill. Todos eles estavam no domingo no Route 91 Harvest Festival, em Las Vegas. Foram mortos a tiro. Aos poucos, começa-se a conhecer os rostos, os nomes e as histórias daqueles que morreram enquanto se divertiam. Há pais, mães, filhos e irmãos. Há professores, polícias e estudantes. Uma grande parte veio da Califórnia e outros vieram de bem mais longe

  • Chamem-me o que quiserem

    Henrique Monteiro

    Um dos aspetos em que mais tenho pensado nos últimos tempos é na serenidade e no bom senso que Santana Lopes adquiriu. Os desconhecedores das suas fases anteriores (e não pretendo afirmar que ele não se sinta igual, a mesma pessoa), dificilmente acreditarão que foi um jovem truculento bastante à direita ou um socialite que gostava de andar nas colunas das revistas cor-de-rosa